LITERATURA: A VELOCIDADE DA LUZ (2002)

“Talvez isso seja a literatura: a arte de revelar enquanto se esconde e de esconder enquanto se revela.”, disse Javier Cercas e é exatamente isso o que o escritor espanhol faz em A velocidade da luz. A obra conta a história de um espanhol aspirante a escritor que recebe um convite para lecionar em uma universidade nos Estados Unidos, na cidade de Urbana, no final dos anos 80. Lá, o narrador, cujo nome não é revelado, divide sala no departamento de Letras com um homem excêntrico, culto e ex-combatente de guerra chamado Rodney Falk.  Continuar lendo “LITERATURA: A VELOCIDADE DA LUZ (2002)”

CRÍTICA: NASCE UMA ESTRELA (2018)

“A Star Is Born” (Nasce Uma Estrela, 2017), primeiro filme de Bradley Cooper como diretor, conta a história do músico de country Jack (Cooper), que conhece Ally (Lady Gaga) em uma performance musical amadora em um bar qualquer. Jack vê em Ally uma estrela em potencial. Dessa dinâmica, os roteiristas Eric Roth e o próprio Bradley Cooper tentam contar uma história de ascensão e declínio profissional, porém a ideia acaba sendo melhor do que o resultado.

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CRÍTICA: ESCAPE ROOM (2019)

Zoe (Taylor Russell), Ben (Logan Miller) e Jason (Jay Ellis) são jovens que estão em momentos completamente diferentes de suas vidas. A primeira é uma garota prodígio que luta contra sua insegurança para se destacar na faculdade; o segundo tenta sem sucesso uma promoção no supermercado onde trabalha; e o último ocupa um alto cargo numa multinacional. Continuar lendo “CRÍTICA: ESCAPE ROOM (2019)”

SÉRIE: COMMUNITY (2009 – 2015)

O mundo das sitcons é, no mínimo, um lugar injusto. Um lugar onde a repetição e imbecilidades são recompensadas com milhões e milhões e milhões de dólares além das várias e incansáveis renovações de séries que, na melhor das hipóteses, tiveram duas ou três temporadas medianas, seguidas por muitas outras engessadas na fórmula bem-sucedida moldada por produtores-empresários nos primeiros anos de exibição. Dito isso, é evidente que o problema não está na conquista de sucesso dessas séries, mas sim na zona de conforto criada por esse sucesso. Chuck Lorre, criador de “Two and a Half Men” e “The Big Bang Theory”, entre outras atrocidades semelhantes, sabe muito bem disso, uma vez que suas produções são, muito provavelmente, inspiradas no Dia da Marmota. E Bill Murray desaprovaria.

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RESENHA: VÁ, COLOQUE UM VIGIA (1960)

Nada pode deixar o fã de uma obra (filme, série ou livro) mais animado do que o anúncio da continuação de uma história que conquistou o seu carinho e admiração. E não foi diferente com Vá, coloque um vigia. Segundo livro de Harper Lee, a obra, publicada 50 anos após a publicação do primeiro livro da autora, surge com a proposta de ser a continuação de O sol é para todos (já resenhado aqui). Em meio a várias polêmicas envolvendo sua publicação, como o estado de saúde da autora e até mesmo controvérsias quanto a sua autoria, Vá, coloque um vigia é um livro que dividiu e continua dividindo opiniões.

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RESENHA: BARTLEBY, O ESCRIVÃO (1853)

“Bartleby, o Escrivão”, foi publicado pela primeira vez, anonimamente, em 1853. O nome do autor desta verdadeira crítica ao capitalismo, Herman Melville, foi descoberto somente em 1856, três anos após a primeira publicação do conto. A história nos é contada a partir da perspectiva de um advogado inominado, nosso narrador personagem, que afirma não existir material o suficiente para que apresentar uma biografia de Bartleby. É sob essa ótica, a ótica do que não se sabe, do que não fora dito, que Melville nos conduz por Wall Street, demonstrando as consequências provocadas pelo capitalismo, sendo a desumanização dos sujeitos a pior delas. Tratando-se de um personagem extremamente misterioso, Bartleby é passível a diversas interpretações. Para o desenvolvimento desta análise, é importante, portanto, considerar que nada a respeito de Bartleby pode ser afirmado, apenas sugerido. Continuar lendo “RESENHA: BARTLEBY, O ESCRIVÃO (1853)”