Casa Grande (2014)

Título original: Casa Grande
Título nacional: Casa Grande
Gênero: Drama
Duração: 115 min
Ano de lançamento: 2014
Diretor: Fellipe Gamarano Barbosa Roteiristas: Fellipe Barbosa, Karen Sztajnberg
Elenco: Thales Cavalcanti, Marcello Novaes, Suzana Pires
Sinopse oficial: Jean é um adolescente rico que luta para escapar da superproteção dos pais, secretamente falidos. Enquanto a casa cai, os empregados têm que enfrentar suas inevitáveis demissões, e Jean tem que confrontar as contradições da casa grande.

IMDb | Rotten Tomatoes | Filmow

“Casa Grande” é o argumento perfeito para vencer uma discussão com um idiota que afirma não haver vida inteligente no cinema brasileiro. Nossa criatividade vai bem, obrigado. Nosso Talento também. Confesso que, eu mesmo, não esperava ser tão arrebatado. Não se trata apenas de um filme sobre empobrecimento, como a esperta referência ao caso Eike Batista parece sugerir. É um retrato fiel da atual sociedade brasileira. A elite que se vê obrigada a lidar com a crise financeira e se adaptar a um novo estilo de vida, a corrupção generalizada, o sistema educacional, a desigualdade social, a meritocracia e o acentuado confronto entre conservadores e liberais são alguns dos temas abordados com autenticidade.

Logo no primeiro frame percebe-se que estamos diante de uma obra diferenciada. Os créditos iniciais mostram a “casa grande” com uma câmera estática e um plano bem aberto. Uma tomada estilosa, através da qual o diretor Fellipe Barbosa já mostra a que veio. A técnica, frequentemente utilizada aqui, está longe de ser inovadora. No entanto, além de ser adequada esteticamente, é usada com originalidade e propósito bem definido.

O que torna o longa tão especial é seu roteiro. A construção dos personagens é precisa. É possível reconhecer aspectos de personalidade tipicamente brasileiros em cada um deles. Novaes, por exemplo, representa o grupo dos politicamente conservadores com senso moral questionável, que se preocupa excessivamente com status e aparências, além de ser um adepto não-declarado do famoso “jeitinho brasileiro”. Qualquer coincidência com aquele seu tio não é mera coincidência. Além disso, o filme retrata ainda particularidades e o inconfundível senso de humor do nosso povo. É realmente impressionante a capacidade do roteirista de expor inúmeras nuances e explorar bem cada uma delas, sem nunca se perder. Ao mesmo tempo em que se mostra um coming of age ao retratar o amadurecimento de Jean, aborda questões sociais importantes enquanto sua namorada defende o sistema de cotas no jantar em família.

Outra questão importante suscitada pelo filme é a singular relação entre empregados domésticos e patrões. Uma mistura paradoxal de intimidade, submissão, confiança e autoritarismo. O título do longa faz uma referência à sociedade escravagista, marcada por elementos como “casa grande” e “senzala” que, embora arcaicos, deixaram marcas que perduram até hoje. Esse aspecto culmina na cena que talvez seja o ponto alto do filme: o acerto de contas entre empregada e patroa, em um impasse moral que expõe as hipocrisias de ambos os lados.

“Casa Grande” conta com um ótimo elenco, liderado pelos veteranos Marcello Novaes e Suzana Pires. Porém, o grande destaque é Thales Cavalcanti, que vive o jovem Jean. Cavalcanti transmite perfeitamente o turbilhão de sentimentos experimentados pelo personagem que vive um momento extremamente conturbado. O ator consegue humaniza-lo e manter intacta a identificação do publico, mesmo em momentos em que parece mimado e arrogante.

Um filme socialmente relevante que trata de assuntos importantes e delicados sem abrir mão da leveza. “Casa Grande” é tematicamente rico o bastante para ser apreciado por todos os tipos de publico e representa o que o cinema brasileiro tem de melhor. Guardem bem o nome de Fellipe Barbosa, pois esse menino vai longe.

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