Mad Max: Fury Road (2015)

PosterTítulo original: Mad Max: Fury Road
Título nacional: Mad Max‬: Estrada da Fúria
Gênero: Ação
Duração: 120 min
Ano de lançamento: 2014
Diretor: George Miller
Roteiristas: George Miller, Brendan McCarthy
Elenco: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult
Sinopse oficial: Assombrado por seu turbulento passado, Mad Max acredita que a melhor maneira de sobreviver é vagar sozinho. No entanto, ele é levado por um grupo em fuga através de Wasteland em um War Rig (carro de guerra) dirigido por uma Imperatriz de elite chamada Furiosa. Eles estão fugindo de uma cidadela tiranizada por Immortan Joe, que teve algo insubstituível roubado. Enfurecido, o senhor da guerra convoca todas as suas gangues e persegue os rebeldes impiedosamente na estrada de guerra que se segue.

IMDb | Rotten Tomatoes | Filmow

Confesso que sempre tive certa implicância com filmes de ação. Sinto que a extravagância de todas aquelas explosões tem a função de me distrair de um certo vazio conteudista. Amo explosões, não me entendam mal. Elas impressionam num primeiro momento. Mas ultimamente têm sido banalizadas e se tornado superficiais e esquecíveis. Por esse motivo, lidei com o anuncio de um novo “Mad Max” com indiferença. O projeto só começou a despertar meu interesse com a escalação inusitada de Charlize Theron como “protagonista”. A pós-produção, que durou aproximadamente 4 anos e é apontada como uma das mais longas do cinema; e os notórios desentendimentos nos bastidores das filmagens me deixaram ainda mais intrigado. Mas somente quando o primeiro trailer foi divulgado, no ano passado, fui verdadeiramente fisgado. Sabia que algo especial e inovador estava por vir. Estava criado, assim, o “monstro da expectativa”. Hoje, após ter testemunhado esse grande trabalho do diretor George Miller, posso afirmar orgulhosamente que o monstro da expectativa se transformou no deus da satisfação. A escolha de Theron para o papel principal: um golpe de mestre. Os 4 anos de pós-produção: de repente parecem pouquíssimo tempo. A frustração de alguns membros da equipe: compreensível, uma vez que trabalhavam baseados em descrições de algo que era, simplesmente, indescritível.

O que distingue “Mad Max – Estrada da Furia” das demais obras do gênero é o cuidado especial que demonstra com suas cenas de ação, tentando evitar a todo custo que as vejamos com um olhar alheio e impessoal. Um cuidado importantíssimo, visto que se trata de um longa em que o movimento é constante. Marcado pela objetividade, sem subtramas desnecessárias, o espectador nunca se perde em meio a tantas lutas e perseguições. Grande parte do mérito por este ritmo frenético e envolvente é da editora Margaret Sixel. Com notável sensibilidade, ela realiza a façanha de humanizar sequências que podem ser consideradas o extremo oposto de humanas.

A escolha de abdicar das explicações em excesso é um grande acerto do roteiro. O filme perderia toda sua essência se a ação fosse constantemente interrompida por recursos didáticos. Em vez disso, Miller nos joga abruptamente nesse universo tão rico e surpreendente. O resultado é uma imersão total. O diretor respeita a imaginação do espectador ao abrir mão de apresentar os precursores da situação. Não conhecemos os motivos, mas sabemos que são fascinantes.

Admiradores de fotografia soltarão gemidos de prazer no cinema. “Mad Max” é uma das experiências visuais mais arrebatadoras que tive nos últimos anos. A extrema precisão na utilização de cores e contrastes impressiona de tal forma, que é impossível escolher um frame favorito. A estratégia de conquistar o público pelos sentidos se mostra bem sucedida. Digo por experiência própria que o que foi visto dificilmente será esquecido. A recomendação seria apreciá-lo com a melhor qualidade possível, preferencialmente em 3D.

A revolta de alguns ativistas pelos direitos dos homens com o filme é coerente. A forma como as mulheres são retratadas realmente causa certa estranheza. No primeiro ato, estava tudo em seu devido lugar. Sociedade dominada por homens, onde as mulheres possuíam funções especificas: reproduzir e amamentar. De repente, surge uma guerreira intrometida com o objetivo de leva-las a um lugar onde não seriam tratadas como objeto. Ficção. Absurdo. O público não está habituado a ver mulheres bonitas com nomes, personalidades e que fazem coisas uteis em seus filmes de ação. Ideal seria que elas mostrassem os seios, não servissem para nada e, em seguida, morressem. Furiosa (Theron, grande destaque do elenco) é a cereja no topo desse bolo feminista. Poucas obras hoje em dia são capazes de apresentar personagens femininas tão fortes e complexas. E a melhor parte é que foi tudo feito de forma natural. Nunca foi a intenção de Miller fazer dela um ato político. O diretor afirmou que a presença da heroína era, a princípio, uma conveniência narrativa. “Não faria sentido , naquele contexto, que aquelas mulheres fossem resgatadas por um homem” explicou ele. Mesmo que despropositadamente, essa fantástica troca de protagonismo suscita a discussão e passa uma importante mensagem sobre a igualdade de gênero.

Em suma: o filme de ação a ser batido. Em um mundo perfeito, “Mad Max – Estrada da Fúria” significaria o fim do método “filmar explosões e ver no que dá” e, consequentemente, fim da carreira de certos cineastas (cujos nomes não revelarei, para não acabar com esse clima gostoso de harmonia). Um clássico instantâneo, esteticamente impecável e com personagens memoráveis. Se tudo der certo, deixará como legado uma geração de admiradores mais exigentes, tornando assim inevitável uma renovação que há muito se faz necessária.

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