Sicario (2015)

Título original: Sicario
Título nacional: Sicario: Terra de Ninguém
Gênero: Ação, Policial, Drama
Duração: 121 min
Ano de lançamento: 2015
Diretor: Denis Villeneuve
Roteiristas: Taylor Sheridan
Elenco: Emily Blunt, Josh Brolin, Benicio Del Toro
Sinopse oficial: A CIA está preparando uma audaciosa operação para deter o grande líder de um cartel de drogas mexicano. Kate Macy (Emily Blunt), policial do FBI, decide participar da ação, mas logo descobre que terá de testar todos os seus limites morais e éticos nesta missão.

IMDb | Rotten Tomatoes | Filmow

“Sicario: Terra de Ninguém” é um filme que aborda um tema já comum no cinema: A luta contra o tráfico de drogas. Entretanto, o excelente diretor Denis Villeneuve em momento algum opta por pegar o caminho mais curto, com cenas clichês ou vícios de tema e entrega um suspense de primeira com cenas tensas, bem construídas e montadas e tecnicamente raras se olhadas em comparação com outros filmes do gênero.

Mesmo comum, o tema aqui é tratado de forma extremamente séria e profunda, dando um tom quase de denúncia ao longa-metragem. A protagonista – Katy Mace (Blunt) – é uma agente de campo do FBI que trabalha combatendo o tráfico de drogas dentro do território americano. O filme começa com uma ótima sequência seguindo Mace e o restante da equipe investigando uma casa cujos responsáveis são pessoas ligadas ao cartel mexicano. Nessa sequência, há uma cena que dialoga diretamente com “O Gato Preto” de Edgar Allan Poe, na qual corpos são encontrados dentro das paredes. Isso, já de início, é uma pista para o espectador indicando a maneira mórbida e suja com o tema será aqui abordado, retratando o pior lado da mente humana, como Poe muito fazia em seus contos.

Nessa sequência, há também um exemplo da maneira não ortodoxa com que Villeneuve decide montar seu longa. Logo após uma explosão, um membro da equipe do FBI perde um braço, e o personagem de Blunt presencia a cena. Ao invés de usar um plano detalhe no membro decepado do homem, o diretor mostra um plano subjetivo com a visão da protagonista e rapidamente corta para a mesma tomando banho, esfregando o rosto com as mãos e de olhos fechados. Villeneuve aqui abre mão de chocar o espectador com uma cena gráfica e gratuita, para chocá-lo através do choque da própria protagonista tentando “se limpar” daquela imagem vista. Essa escolha, além de ser estilisticamente muito mais interessante, tem seu efeito narrativo intensificado pelo estranhamento.

Katy Mace é então chamada pela CIA para participar, junto a Matt (Brolin) e Alejandro (Del Toro), de uma operação contra o cartel, porém agora atuando no México. O foco de ação da equipe é na cidade de Juárez, que tem sua imagem construída como um lugar em que a violência é tratada de forma banal, recorrente e a pobreza gritante.

O personagem de Del Toro, que possui raízes no México, é disparado o mais interessante e multifacetado de todo o longa-metragem, e a direção ajuda – e muito – a construir essa imagem. Como por exemplo, em uma das primeiras cenas em que ele aparece, Mace – subindo as escadas do avião – o vê fumando no solo, ao lado da nave. O interessante é que, nessa cena, em momento algum é possível ver o rosto de Del Toro, dando um ar misterioso ao seu personagem. Esse mistério é mantido até o final terceiro ato, quando as suas motivações são finalmente reveladas em uma cena absolutamente fantástica em uma mesa de jantar. Por outro lado, o talento de Emily Blunt parece aqui desperdiçado, uma vez que seu personagem é plano, portanto, não demonstra mudanças de caráter ao longo da projeção. Mas não há como criticar ninguém por isso, o personagem é importante para a construção narrativa do filme, se faz necessário alguém cujo senso moral é inabalável, mesmo em um contexto e lugar onde a linha que separa o certo do errado é tão tênue.

Por fim, “Sicario: Terra de Ninguém” é um filme que empolga pelas técnicas do ótimo diretor, montagem ousada, narrativa interessante e atuações dignas de premiações. Ficarei surpreso se o nome de Benício Del Toro não constar nas listas de final de ano.

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