Deep Dark (2015)

DeepDarkPoster4WebTítulo original: Deep Dark
Título nacional: Deep Dark
Gênero: Terror, Fantasia
Duração: 1h 19min
Ano de lançamento: 2015
Diretor: Michael Medaglia
Roteiristas: Michael Medaglia
Elenco: Sean McGrath, Denise Poirier, Anne Sorce
Sinopse oficial: Escultor frustrado, Hermann resolve seguir o conselho de seu tio, um artista bem conceituado e rico, e se isola no mesmo apartamento em que este criou as obras que o tornaram famoso. Após dias sem criar nada, Hermann descobre um buraco falante na parede, de onde parece brotar magicamente a inspiração para o seu trabalho. Mas há um preço terrível a ser pago.

IMDb | Rotten Tomatoes | Filmow

“De onde vem a inspiração de um artista?” Essa  pergunta serve como ponto de partida para os assuntos que o diretor e roteirista Michael Medaglia busca discutir em “Deep Dark”, seu longa de estreia, um dos selecionados do SCI-FI-LONDON Film Festival de 2015.

Hermann Haig (Sean McGrath) é um escultor cujas obras não possuem o reconhecimento do público que ele almeja. É possível afirmar que Haig, no início do filme, é um artista sem talento frustrado consigo mesmo por não ser bem sucedido em seu trabalho. Ele é capaz de qualquer coisa para atingir seu objetivo maior, até dar de seu próprio sangue em função da arte – literalmente. Porém, todas suas investidas para o sucesso falham e ele decide, como último recurso antes de colocar um fim na própria vida, pedir a seu tio (Felix, interpretado por John Nielsen) – um artista renomado – dicas de como obter sucesso profissional. Esse é um ponto chave para a personagem de McGrath, pois Haig não reconhece seu tio como um artista genuíno, e sim um charlatão que terceiriza a produção de sua arte apenas visando o lucro financeiro. Sendo assim, Felix representa o oposto do que Haig almeja ser, porém, isso não o impede de buscar algum tipo de inspiração no tio. Essa é a primeira vez que Haig contradiz seus ideais colocando sua carreira profissional na frente de sua realização como artista.

Felix então sugere a Haig que passe um tempo em seu antigo apartamento, pois, segundo ele, é o lugar onde conseguiu toda a inspiração que o tornou o que é hoje. Haig aceita a sugestão e vai para o apartamento ­– não antes de descobrir que terá que pagar aluguel ao seu tio. No apartamento, Haig encontra um buraco na parede atrás de um quadro. Desse buraco ele retira um tipo de pedra que serve para balancear perfeitamente o peso de sua escultura, assim a transformando assim em arte. O fato dessa pedra “balancear” a estrutura montada por Haig pode ser interpretado como se ele precisasse de algo além do que possui em si mesmo para se tornar um artista completo. Haig aceita essa condição para chegar a seu objetivo. É aqui que a personagem se transforma – mesmo que sem perceber – no que ele tanto rejeita. Aqui ele passa a possuir os mesmos valores de seu tio, aceitando uma interferência “exterior”[1] em seu trabalho.

O buraco então ganha voz e começa se comunicar oralmente com Haig. A voz é feminina e se apresenta como Devoria (Anne Sorce) e possui um tom escorregadio, dando certa sensualidade à entonação. Sensualidade essa que é refletida no efeito que as obras de Haig – com o detalhe adquirido junto a Devoria – causam em seus admiradores. Como na cena em que a primeira escultura é exibida e, depois de observa-la por alguns minutos, um casal começa a fazer sexo dentro da galeria, na frente de todas as pessoas. Além disso, o sexo funciona também como uma forma de obter a inspiração no roteiro de Medaglia, uma vez que Devoria (o buraco na parede) – durante um bloqueio criativo – sugere a Haig que relações sexuais entre os dois poderia deixá-la mais confortável e consequentemente acabar com o bloqueio.

A narração de Anne Sorce, que personifica o buraco parede, se assemelha bastante ao trabalho realizado por Scarlett Johansson em “Her” (dada as devidas proporções). Essa semelhança pode ser observada na função narrativa que as personagens possuem e na estilística adotada a fim de criação de sentido quando comparado os textos de Jonze e Medaglia (também dada as devidas proporções).

Um aspecto negativo de “Deep Dark” é a atuação, principalmente do protagonista. Sean McGrath até consegue sustentar cenas de baixo teor dramático, mas quando é mais exigido, o ator deixa a desejar e entrega performances exageradas ou superficiais. Fora isso ninguém se destaca, nem para o bem nem para o mal.

A direção de Medaglia varia entre planos fechados nos rostos dos atores e câmera subjetiva para sugerir o ponto de vista de Devoria. A câmera subjetiva é feita em formato fisheye (olho de peixe), aquele formato arredondado. Essa escolha ajuda a construir bem a perspectiva de visão através do buraco na parede, então a escolha foi pontual. Porém, o diretor peca por abusar dos primeiros planos tendo um elenco tão limitado.

Finalizando, “Deep Dark” é um filme que fala sobre a busca do artista pela inspiração. O espectador não pode assisti-lo esperando sentir medo e tomar sustos, pois esse não é o objetivo do diretor/roteirista. Inclusive, a última cena é de uma sensibilidade absurda, quando Haig finalmente transforma a inspiração na própria arte. Enfim, “Deep Dark” não é um terror, é um filme sensível sobre mudança e busca.


[1] Entre aspas porque o buraco pode ser interpretado como a inspiração do artista sendo encontrada por ele e nele mesmo quando isolado, obrigando-o a se conhecer por completo.

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