Suffragette (2015)

suffragetteposter2Título original: Suffragette
Título nacional: As Sufragistas
Gênero: Biografia, Drama, História
Duração: 1h 46min
Ano de lançamento: 2015
Diretora: Sarah Gavron
Roteirista: Abi Morgan
Elenco: Carey Mulligan, Anne-Marie Duff, Helena Bonham Carter, Maryl Streep
Sinopse oficial: O início da luta do movimento feminista e os métodos incomuns de batalha. Mulheres que enfrentaram seus limites pela causa e desafiaram o Estado extremamente opressor. A história é baseada em fatos reais.

IMDb | Rotten Tomatoes | Filmow

A diretora Sarah Gravon conta em “As Sufragistas” a história baseada em fatos históricos de um grupo de mulheres que se reúne para exigir o direito de voto igualitário na Inglaterra no início do século XX. Carey Mulligan, protagonista do longa, interpreta Maud Watts, uma funcionária de fábrica que não possui qualquer tipo de formação política. Watts passa a conviver e conhecer o sufrágio de perto e, em determinado momento, se indigna com a sociedade em que vive e se junta ao movimento.

Não existe uma atuação ruim no longa, entretanto o destaque vai – com toda a certeza – para Mulligan, que entrega uma atuação muitas vezes contida, porém sempre poderosa. É interessante notar em Maud Watts a transformação que ela sofre no decorrer da projeção. Mulligan consegue transmitir, com bastante sutileza, todas as incertezas que a personagem sofre em seu caminho de conscientização e mobilização para a luta que o movimento enfrenta. Mulligan entrega ótimas cenas com alto teor dramático, principalmente aquelas que contracena com Adam Michael Dodd (George Watts, seu filho) que – diga-se de passagem – foi uma excelente escolha para interpretar o garoto.

Helena Bonham Carter é outra que se destaca aqui. Faz um bem danado a atriz se distanciar de Tim Burton e buscar outros tipos de papeis. Aqui não há maquiagens exageradas, figurinos espalhafatosos ou personalidades excêntricas. Carter entrega uma atuação pontual e sensível, nem mais ou menos do que a personagem pede. Irretocável.

Ainda no quesito atuação, “As Sufragistas” possui um antagonista a altura da protagonista. Brendan Gleeson faz o papel de Arthur Steed, o inspetor responsável por investigar o sufrágio na Inglaterra. Steed é um homem que foi cego pela lei, e com isso se tornou uma marionete do governo. Há excelentes diálogos entre sua personagem e a de Mulligan sobre o assunto (que é abordado durante todo o filme), trazendo ótimas reflexões e citações de efeito. Há uma grande semelhança entre Arthur Steed e Javert, personagem de por Victor Hugo para “Os Miseráveis”, vivido no cinema pela última vez por Russel Crowe, no filme de 2012 de Tom Hooper. Ambos possuem um senso de justiça inflexível e cego, chegando a um ponto de quase obsessão em cumprir a lei sem refletir sobre a mesma. Ainda, os dois personagens têm um momento de incerteza, um momento o qual refletem se a lei é realmente o correto. Esse momento na personagem de Steed é mais discreto e subjetivo, e conta um toque de sensibilidade da diretora para retratar a cena. A cena referida retrata a personagem de Gleeson de pé, sendo mostrado de um ângulo alto, junto ao teto, em meio a uma espiral de escadas, sugerindo o dilema que a personagem enfrenta.

Sobre a direção e ainda fazendo um paralelo com “Os Miseráveis” de Tom Hooper, a estética de “As Sufragistas” é bastante semelhante à do filme de 2012. A paleta de cores usadas é praticamente mesma nos dois filmes, o uso de planos descentralizados, que deixa a personagem no canto da tela é também usado em ambos os filmes sugerindo a mesma ideia de solidão, e há ainda semelhança entre personagens, Javert e Steed, além de Watts e Fantine.

A ambientação é também muito bem trabalhada, os figurinos são muito bem escolhidos e as cenas externas na cidade são impressionantes devido a quantidade de detalhes ali contidos.

Outro ponto alto que merece destaque é a montagem. Destaco a cena da aparição de Emmeline Pankhurst (Meryl Streep), a líder do movimento, retratada no filme como uma entidade a ser idolatrada por todas as participantes. Essa cena em questão é construída com uma montagem paralela, seguindo Maud Watts e as outras mulheres e cortando para a operação que levará Pankhurst ao palanque onde realizará o grande discurso. Essa cena é toda montada com cortes dinâmicos e bem colocados, situando bem o espectador no espaço e tempo que acontece a ação.

Para concluir, “As Sufragistas” é um filme ágil, bem produzido e atuado que discute um assunto relevante para a sociedade atual de forma clara e objetiva. Não me surpreenderia algumas indicações ao Oscar.

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