Carol (2015)

carol-posterTítulo original: Carol
Título nacional: Carol
Gênero: Drama, Romance
Duração: 1h 58min.
Ano de lançamento: 2015
Diretor: Todd Haynes
Roteiristas: Phyllis Nagy, Patricia Highsmith
Elenco: Cate Blanchett, Rooney Mara, Sarah Paulson
Sinopse oficial: Nos anos 1950, Carol (Cate Blanchett) é casada com Harge Aird (Kyle Chandler), mas o relacionamento é de aparências, pois ela não o ama, mas fica presa nesse casamento por causa da boa condição financeira do marido. Ela busca a felicidade nos braços de outras mulheres e quando Harge descobre, ameaça a se divorciar e tirar a guarda da filha do casal. Mas para Carol é inevitável censurar seu amor pelas mulheres, especialmente quando conhece a vendedora Therese Belivet (Rooney Mara), com quem vive um intenso romance.

IMDb | Rotten Tomatoes | Filmow

O fato de Patricia HIghsmith ter sido obrigada a lançar seu romance lésbico sob um pseudônimo por causa de pressões sociais já é um indicativo do contexto histórico em que se passa “Carol”. Adaptado de “The Price Of Salt”, de Highsmith, o belíssimo longa de Todd Haynes propõe uma reflexão sobre o amor nos tempos do conservadorismo.

Ao assistir um romance lésbico dos anos 50 é fácil cair na armadilha de pensar que os problemas enfrentados pelas personagens se justificam pelo contexto histórico. No entanto, nosso suposto progresso foi pequeno demais; e os conflitos retratados em “Carol” podem ser considerados atemporais. Ignorância e hipocrisia ainda reinam na sociedade. Assumir um relacionamento homossexual ainda requer muita coragem. Ainda é possível ser punido e tratado como um criminoso por causa de sua orientação sexual. Nenhuma mudança aqui.

O filme conta a história do romance proibido entre Therese (Rooney Mara) e Carol (Cate Blanchett). É interessante observar a dinâmica entre elas e a forma como se completam. Enquanto Therese “não sabia exatamente o que queria”, Carol “nunca soube o que estava fazendo”. O sentimento que as une é forte suficiente para resistir às inúmeras provações.

O roteiro, adaptado com maestria por Phyllis Nagy, é marcado por silêncios e sentimentos subentendidos. Um exemplo da propriedade com que Nagy escreve é o fato de iniciar o filme com uma das cenas-chave da história sob uma perspectiva menos reveladora. Uma manobra genial para prender a atenção do espectador, que posteriormente apreciará a cena em sua plenitude.

As atuações também chamam atenção. Desde a sempre subestimada Sarah Paulson, até as estrelas Blanchett e Mara. O diferencial aqui é o fato de Blachett, que possui uma certa tendência a ofuscar tudo e todos, não se sobressair. Há um equilíbrio perfeito entre as duas protagonistas, que possuem uma química incontestável. O talento das atrizes é óbvio, no entanto, é preciso reconhecer o mérito da direção. A atmosfera criada ao redor delas exerce grande influência sobre a beleza de suas performances.

Todd Haynes é a verdadeira estrela a ser reverenciada. Sua câmera ajuda a contar a história melhor do que qualquer outro recurso. Exemplo disso é a maravilhosa cena em que Therese vê Carol pela primeira vez. A câmera subjetiva é utilizada de forma certeira e transmite perfeitamente a fascinação instantânea entre as duas. Digno de aplausos.

Não me vem à cabeça nenhuma ambientação da década de 50 que se compare a essa. Trilha sonora, figurino, direção de arte e, principalmente, a fotografia trabalham em conjunto para construir um clima extremamente único. Mais um ponto para Haynes, por ter orquestrado toda essa impecabilidade técnica.

Por fim, um filme deslumbrante e encantador pelo conjunto da obra. Capaz de proporcionar completa imersão na época retratada e nos conflitos de seus personagens.

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