SPOTLIGHT (2015)

spotlighgTítulo original: Spotlight
Título nacional: Spotlight – Segredos Revelados
Gênero: Drama, Biografia, História
Duração: 2h 08min.
Ano de lançamento: 2015
Diretor: Tom McCarthy
Roteiristas: Josh Singer, Tom McCarthy
Elenco: “Spotlight – Segredos Revelados” conta a verdadeira e fascinante história da investigação ganhadora do Prêmio Pulitzer feita pelo jornal Boston Globe, que viria a abalar a cidade e causar uma crise em uma das instituições mais antigas e confiáveis do mundo. Quando o time de repórteres da tenaz equipe Spotlight mergulha nas alegações de abuso na Igreja Católica, a investigação de um ano desvenda décadas de encobrimento nos mais altos níveis dos estabelecimentos legais, religiosos e governamentais de Boston, desencadeando uma onda de revelações ao redor do mundo.

IMDb | Rotten Tomatoes | Filmow

A Igreja Católica é uma instituição corrupta, alienadora, preconceituosa e falha. Veja bem, a fé e a Igreja não são a mesma coisa e nem precisam sempre caminhar lado a lado. Não entrando muito nesse mérito, “Spotlight” do diretor Tom McCarthy, é uma crítica ácida e necessária às atrocidades que essa instituição milenar cometeu em Boston nas últimas décadas e que continua a cometer ao redor do mundo.

Ambientado no ano de 2001, o filme conta a história baseada em fatos reais da Spotlight, uma equipe investigativa do Globe – jornal de grande influência no estado. Com a chegada de Marty Baron (Liev Schreiber), novo editor-chefe, a equipe é incumbida de investigar um caso de pedofilia envolvendo um padre local. Esse é o ponto de partida para a investigação que rapidamente deixa de ser sobre um caso isolado, e passa a focar no acobertamento da Igreja em mais de 200 casos de abusos físicos e psicológicos que padres cometeram contra crianças.

O diretor aborda temas subjacentes a trama principal, e faz isso de maneira natural e sem forçar em momento algum. Como por exemplo, a ética do Jornalista, o dilema entre falar sobre um perigo que – literalmente – mora ao lado e correr o risco de atrapalhar o andamento da investigação, ou manter o silencio colocando vidas em risco em prol do trabalho. Inclusive, “Spotlight” é um filme que possui grande apelo aos estudantes ou admiradores do Jornalismo por trazer partes importantes da profissão de maneira quase que documental. Porém, esse não é o único público alvo do longa, uma vez que o assunto abordado é universal e deve ser de conhecimento geral.

A principal crítica feita no filme é o uso de poder que a Igreja Católica exerce sobre o sistema para encobertar casos de abusos sexuais cometidos por padres em crianças de ambos os sexos. E os realizadores do longa são extremamente felizes nessa denuncia, apresentando novas informações que avançam a investigação de maneira pontual e bem espalhadas no decorrer do filme, permitindo que o espectador sinta o choque de cada uma delas e cultive um sentimento de indignação contra a Igreja e seus representantes. É impossível assistir a “Spotlight” e não se indignar com a realidade ali mostrada.

Um ponto interessante que merece reconhecimento é o trabalho de pesquisa contido em “Spotlight”, a quantidade de nomes e fatos presentes no roteiro dão credibilidade a trama e legitimam a denúncia. Além disso, nos créditos finais há uma lista de cidades onde, assim como em Boston, grandes escândalos envolvendo a Igreja aconteceram. Isso funciona como uma ferramenta para mostrar ao espectador que esse não é um caso isolado, e sim um evento quase que rotineiro na instituição que pode estar acontecendo mais próximo a você do que imagina. No Brasil, as cidades listadas são: Arapiraca (AL), Franca (SP), Mariana (MG) e Rio de Janeiro (RJ).

No elenco, se destacam Michael Keaton e Mark Ruffalo. O primeiro apresenta uma atuação segura com algumas nuances. A personagem de Keaton enfrenta problemas internos não resolvidos do passado e são nessas cenas que o ator se destaca. Ruffalo da vida a uma personagem inquieta, com forte senso de justiça e paixão pelo trabalho. É também a personagem que demonstra mais intensidade nos sentimentos, o que o faz um destaque positivo, já que o ator entrega boas cenas com grande carga dramática (uma dentro da Igreja, como exemplo claro)

Para finalizar, “Spotlight” é uma crítica dura, porém extremamente necessária a Igreja Católica e uma de suas muitas atividades criminosas. Com o roteiro afiado de Josh Singer e do próprio McCarthy, são desconstruídos diversos argumentos que ela usa para tentar justificar as atrocidades que comete, como a metáfora da maçã podre na cesta de maçãs boas. Todas as tentativas de racionalizar esses atos caiem por terra diante da quantidade de fatos apresentados. “Spotlight” é um filme obrigatório e necessário.

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Um comentário em “SPOTLIGHT (2015)

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  1. Já esperava uma crítica contundente à igreja católica mas a homenagem ao jornalismo me surpreendeu. Lindo demais ver uma imprensa engajada na busca pela verdade e transparência, funcionando mesmo como uma espécie de “quarto poder”.
    Filme redondinho. Roteiro dinâmico, inteligente e MUITO bem elaborado. Elenco maravilhoso, todos na mesmíssima vibe.
    Chocante em alguns momentos. A extensão da lista de cidades com casos de abusos sexuais cometidos por padres causa uma aflição tremenda. Chamo atenção para uma certa cena com um certo padre que fala sobre o assunto com uma certa tranquilidade excessiva. É de cair o queixo.
    As missas de domingo nunca mais serão as mesmas depois de spotlight.

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