THE HATEFUL EIGHT (2015)

8Título original: The Hateful Eight
Título nacional: Os Oito Odiados
Gênero: Comédia, Drama, Faroeste
Duração: 3h 07min.
Ano de lançamento: 2015
Diretor: Quentin Tarantino
Roteiristas: Quentin Tarantino
Elenco: Samuel L. Jackson, Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh
Sinopse: Durante uma nevasca, o carrasco John Ruth (Kurt Russell) está transportando uma prisioneira, a famosa Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), que ele espera trocar por grande quantia de dinheiro. No caminho, os viajantes aceitam transportar o caçador de recompensas Marquis Warren (Samuel L. Jackson), que está de olho em outro tesouro, e o xerife Chris Mannix (Walton Goggins), prestes a ser empossado em sua cidade. Como as condições climáticas pioram, eles buscam abrigo no Armazém da Minnie, onde quatro outros desconhecidos estão abrigados. Aos poucos, os oito viajantes no local começam a descobrir os segredos sangrentos uns dos outros, levando a um inevitável confronto entre eles.

IMDb | Rotten Tomatoes | Filmow

Quentin Tarantino está de volta às telonas com seu novo filme, “Os Oito Odiados” (The Hateful Eight, 2015), e junto ele traz de volta aos cinemas as lentes da Ultra Panavision 70, capaz de filmar com 2.76:1 de proporção de tela, a mais larga já vista. E essa é uma decisão interessante do diretor, uma vez que o filme se passa quase que inteiramente dentro de um ambiente fechado.

No filme conhecemos Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson), um caçador de recompensas que perdeu seu cavalo em uma nevasca e aguarda ajuda na estrada. Sua espera acaba quando a diligencia do carrasco John Ruth (Kurt Russel), que transporta a fora da lei Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh) para a execução, chega a seu encontro. Ruth aceita transportar Warren e suas recompensas até a próxima cidade (Red Rock), até que outro andarilho aparece a beira da estrada pedindo carona, trata-se de Chris Mannix (Walton Goggins). Ele alega ser o novo xerife de Red Rock e Ruth decide deixá-lo entrar com desconfiança. O clima piora, e os viajantes são obrigados a parar em uma cabana para se protegerem do frio, lá encontram outros viajantes abrigados e a trama começa a se desenrolar.

A maior parte do filme se passa em um ambiente fechado dentro da cabana e – como dito anteriormente – é uma escolha interessante de Tarantino usar uma lente com ângulo e captação maior que o comum. Mas além de interessante, é uma escolha acertada do diretor. Com o campo de visão ampliado, Tarantino abusa dos planos abertos e conjuntos (que são potencializados pela lente citada), contextualizando a todo o tempo a posição das personagens, não só as com destaque em cena, mas todas. O espectador nunca perde noção de espaço e localização, o que é muito importante para o desenvolvimento da trama.

Outro efeito interessante que essa escolha da lente associado ao fato do filme se passar quase que exclusivamente em apenas um cenário é a sensação de que estamos assistindo a uma peça. Os movimentos e ações dos atores são coreografados de tal forma que, sempre que duas ou mais personagens estão dialogando, as demais ficam no fundo realizando suas atividades particulares, esperando seus momentos para entrarem em cena.

Ainda sobre a mise-en-scène de Tarantino em seu mais recente trabalho, é notável o esforço do diretor em falar sem usar palavras, mas com movimentos de câmeras ou enquadramentos significativos para a trama. Um exemplo claro disso são os diálogos que possuem tom ameaçador, pondo em risco a vida de uma personagem. Sempre que tais diálogos acontecem, o enquadramento da cena mostra um gancho com formato de “J”, dando a ideia de uma forca (a forca é um objeto de grande significado para o filme).

Outro ponto positivo é o roteiro. Não é novidade que Quentin Tarantino sabe escrever bons diálogos, e em seu novo filme ele prova isso mais uma vez. Toda a tensão e desenvolvimento de personagens são construídos através das falas. Esse talvez seja o filme mais “parado” da carreira do diretor, porém toda a violência – que é sua principal assinatura – está presente aqui, mas em menor proporção se comparado aos seus filmes anteriores.

Nas atuações destacam-se positivamente Samuel L. Jackson, que já trabalhou diversas vezes com Tarantino e sabe entregar como ninguém os textos do diretor, Walton Goggins com a personagem mais caricata e divertida do filme, e Jennifer Jason Leigh, que rouba a cena para ela com a atuação mais marcante do longa. A atriz está excelente desde suas primeiras cenas, quando com apenas um sorriso e piscadela de olho, resume toda a personalidade psicótica de sua personagem. De destaque negativo fica Tim Roth, não por sua atuação em si, mas por ser uma repetição de personagem. Cristoph Waltz interpretou a mesma personagem que Roth em “Django: Livre” e “Bastardos Inglórios” (e foi premiado por isso, vai entender).

Para encerrar, “Os Oito Odiados” é uma mistura de: mistérios, sadismo, velho oeste, sangue, assassinatos, mentiras e algumas gotas de veneno, tudo isso, acrescentando a excelente trilha de Ennio Morricone, forma um faroeste Hitchcockiano com “Tarantino” escrito por todos os lados. De “não-tão-bom” fica a duração, 3 horas e 7 minutos de projeção é muito, algumas cenas (principalmente no primeiro ato) ficam um pouco arrastadas, mas nada que tire a grandiosidade da obra.

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Um comentário em “THE HATEFUL EIGHT (2015)

  1. Tarantino tem que aprender que menos é mais. O apego extremo do diretor com relação ao material foi o unico defeito pra mim. Algumas cenas dos primeiros capitulos poderiam ser facilmente retiradas sem causar grandes danos ao produto final.
    A fotografia, a teatralidade das cenas e a divisão da narrativa em capitulos demonstra um engajamento na velha arte de “contar uma boa história” que simplesmente não se vê mais no cinema. Além disso, cria-se um certo clima poético que contrasta perfeitamente com a violência extremamente banalizada. É lindo demais, gente.
    A capacidade de Tarantino de escrever bons diálogos e criar bons personagens permanece intacta. Todos os atores têm bom material para trabalhar mas Jennifer Jason Leigh rouba o filme para sí. Simplesmente hilária.
    A vocês que insistem em acusar o filme de racista e misógino por causa de certas cenas, peço encarecidamente que se lembrem que retratar não é sinônimo de defender. Realmente não acho que essa tenha sido a intenção aqui. Tentem relaxar e se divertir um pouco.

    Curtido por 1 pessoa

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