DEADPOOL (2016)

deadpoolTítulo original: Deadpool
Título nacional: Deadpool
Gênero: Ação, Comédia
Duração: 1h 48min.
Ano de lançamento: 2016
Diretor: Tim Miller
Roteiristas: Rhett Reese, Paul Wernick
Elenco: Ryan Reynolds, Morena Baccarin, Karan Soni, Ed Skrein
Sinopse: Ex-militar e mercenário, Wade Wilson é diagnosticado com câncer em estado terminal, porém encontra uma possibilidade de cura em uma sinistra experiência científica. Recuperado, com poderes e um incomum senso de humor, ele torna-se Deadpool e busca vingança contra o homem que destruiu sua vida.

IMDb | Rotten Tomatoes | Filmow

Até então “O Homem Formiga” (Ant-Man, 2015) e ”Guardiões da Galáxia” (Guardians of the Galaxy, 2014) disputavam o posto de filme mais divertido de super-heróis lançando nessa geração. Porém, “Deadpool” chega munido de referências a cultura pop e piadas infames que ignoram a existência da quarta parede para desbancar seus competidores. O anti-herói vivido por Ryan Reynolds possui o filme mais engraçado da Marvel, e dificilmente será superado nesse quesito.

Antes de se tornar Deadpool, Wade Wilson (Reynolds) era um agente do Comando de Operações Especiais. Depois de abandonar o trabalho, Wilson se torna um mercenário que passa boa parte de seu tempo no bar de seu amigo Weasel (T.J. Miller). Lá ele conhece e se apaixona por Vanessa Carlysle (Morena Baccarin), uma prostituta que teve a infância problemática. Os dois então começam juntos uma nova vida, abrindo mão do passado para se tornarem pessoas melhores. Entretanto, depois de um tempo vivendo o segundo ato de uma comédia romântica, Wilson sofre com um câncer e tem como única alternativa se submeter a um experimento que promete curar sua doença e lhe transformar em um mutante superpoderoso. Porém, o tal experimento, apesar de curá-lo e transformá-lo em um super-herói, o desfigura, deixando-o com uma fisionomia medonha. Wade Wilson, agora Deadpool, jura vingança aqueles que o deixaram dessa forma.

“Deadpool” já se mostra irreverente nos créditos iniciais, quando ­­­– ao invés de apresentar os nomes dos envolvidos na produção – faz piadas com os mesmos, os diminuindo a estereótipos encontrados no gênero e também no filme em questão. Por exemplo: o nome de Ryan Reynolds é substituído por “um idiota perfeito”, o de Baccarin por “a gostosa”, T.J. Miller se torna “o alívio cômico”. Nem o Tim Miller se livrou da piada, pois aparentemente “Deadpool” é dirigido por “um diretor supervalorizado”. Já os roteiristas são “os heróis de verdade” e eu não poderia concordar mais. Um dos muitos e talvez o maior mérito do filme é o seu roteiro. A estruturação não é linear, portanto a história vai e vem contextualizando o presente de Deadpool com o passado de Wade Wilson. A forma paralela com que o filme foi montado ajuda a construir expectativa para as situações do presente com os acontecimentos passados, porém sem nunca quebrar o ritmo ou parecer enfadonho.

Outro ponto fortíssimo presente no novo filme da Marvel é a quantidade de referências e piadas que funcionam. O roteiro não alivia para ninguém, definitivamente ninguém. Nem o próprio Ryan Reynolds é poupado da língua afiada do Mercenário Tagarela, que afirma que o ator só consegue bons papéis devido a sua aparência. O filme também faz piadas com os estúdios Fox, Samuel L. Jackson, os atores de X-Men, além de várias outras personalidades e fatos da cultura pop em geral. Acaba sobrando até para a principal concorrente da Marvel, a DC Comics.

Para todas essas piadas e referências funcionarem, é necessário um tom de deboche incessante, e Ryan Reynolds segura essa peteca com toda a “classe” necessária e possível. O estilo canastrão de Reynolds cai como uma luva para a personagem, que carrega o filme todo “dialogando” com o espectador. A personagem Deadpool tem consciência que é apenas uma personagem e que está em um filme, e a todo momento faz comentários sobre os acontecimentos da trama. O tom que Reynolds usa para entrar na personagem é perfeito, é perceptível em todas as suas falas que ele não leva nada a sério, mantendo-se fiel a personagem dos quadrinhos. É também admirável o envolvimento de Reynolds no projeto, que trabalhou como uma espécie de auxiliar para dos roteiristas, avaliado se determinado diálogo ou fala era ou não fiel a personagem criada por Rob Liefeld e Fabian Niciesa.[1]

“Deadpool” abre algumas portas para a Marvel no cinema. O filme é, fora do Brasil, direcionado a maiores de idade. Já em solo tupiniquim a classificação etária é de 16 anos, isso devido as muitas cenas de extrema violência, linguagem obscena e nudez contidas durante toda a projeção (contendo inclusive uma montagem do casal Reynolds e Baccarin se apaixonando através de diversas cenas de sexo). Vejo com bons olhos esse novo perfil de filmes de super-heróis que começa a se desenhar com “Deadpool”. E se engana quem pensa que esse é um caminho inédito para os super-heróis dos quadrinhos. As revistas do gênero entraram em crise e tiveram que buscar um novo nicho no final da década de 70 e principalmente durante a de 80. Foi quando as histórias ficaram mais obscuras e violentas, visando atingir o público adulto. Foi nessa fase que surgiram alguns clássicos dos quadrinhos, como: “A Piada Mortal” (The Killing Joke, 1988) de Alan Moore, “Watchmen” (Watchmen, 1986) também de Alan Moore e “Batman: O Cavaleiro das Trevas” (Batman: The Dark Knight Returns, 1986) de Frank Miller. Não me entenda mal, não estou comparando em relevância o filme de 2016 a essas obras citadas, refiro-me ao caminho temático trilhado por todos eles, que é semelhante.

Enfim, “Deadpool” é um filme irreverente do início ao fim. Não se leva a sério em momento algum, e com isso se mantém fiel a personagem de origem que é extremamente debochado. É definitivamente o filme fora da caixa dessa nova geração da Marvel e deve ser levado como exemplo para algumas (não todas) produções do gênero no futuro.


[1] Eu não esperava elogiar tanto o ator quando comecei a escrever o parágrafo, me sinto estranho ao fazer isso, por isso essa nota se faz extremamente necessária.

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