BATMAN V SUPERMAN: DAWN OF JUSTICE (2016)

supermanTítulo original: Batman v Superman: Dawn of Justice
Título nacional: Batman vs Superman: A Origem da Justiça
Gênero: Ação
Duração: 2h 31min.
Ano de lançamento: 2016
Diretor: Zack Snyder
Roteiristas: Chris Terrio, David S. Goyer
Elenco: Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams
Sinopse: Preocupado com as ações de um super-herói com poderes quase divinos e sem restrições, o formidável e implacável vigilante de Gotham City enfrenta o mais adorado salvador de Metrópolis, enquanto todos se questionam sobre o tipo de herói que o mundo realmente precisa. E com Batman e Superman em guerra um com o outro, surge uma nova ameaça, colocando a humanidade sob um risco maior do que jamais conheceu.

IMDb | Rotten Tomatoes | Filmow

Toda produção tem que funcionar soberanamente na esfera para onde foi criada, independentemente de ser uma adaptação ou produção original. Se roteiristas e diretores se colocam na posição de fazer um filme adaptado de um quadrinho, esse filme tem, de regra, que ser soberano. Ele não pode depender de uma experiência anterior que o espectador possa ter tido ou não com o produto original, no caso os quadrinhos. Sendo assim, se um filme depende que o espectador tenha lido quadrinhos x ou y para entende-lo (e aprecia-lo) completamente, esse filme possui um problema. E um dos grandes.

“Batman vs Superman: A Origem da Justiça” (BATMAN V SUPERMAN: DAWN OF JUSTICE, 2016) apresenta um novo Bruce Wayne (Affleck) que, indignado com as ações de Superman (Cavill), se prepara para enfrenta-lo em uma batalha que é “orquestrada” por um estranho e descaracterizado Lex Luthor (Eisenberg). A Mulher Maravilha (Gadot) também está no filme e se insere de forma superficial (como todo o resto da trama) na história. A quantidade de problemas nessa produção é assustadora, e o primeiro deles está na escolha do diretor. Mesmo em sua melhor adaptação dos quadrinhos com “Watchmen” (WATCHAMEN, 2009), Zack Snyder dividiu a crítica. O diretor fracassou em todos os seus trabalhos com exceção de “Zombie: O Despertar dos Mortos” (DAWN OF THE DEAD, 2004) que é de fato um bom filme. É inegável que o diretor possui potencial, alguns planos de seus filmes são belíssimos, mas potencial por si só não é o suficiente. O diretor já deu prova atrás de prova que não consegue contar histórias, mas mesmo assim continua ganhando chances em grandes produções. Claramente a culpa do fracasso crítico de “Batman vs. Superman” não é inteiramente dele, mas vamos por partes para não nos perdermos nesse oceano de erros.

Logo na primeira hora do filme já fica claro que há um sério problema na montagem. Há muitos saltos de uma sequência para outra em momentos que não deveriam haver. Não é dado tempo o suficiente para as tramas se desenvolverem naturalmente devido a esses cortes, deixando a história muito fragmentada no primeiro ato. Isso torna o início de “Batman vs. Superman” cansativo e desinteressante. Outro problema que fica evidente no primeiro ato é o de roteiro. Vários personagens são apresentados como se fossem importantes para o enredo, mas acabam em lugar nenhum. Esse é o caso da Senadora Finch (Holly Hunter), que possui um desfecho abrupto e pouco significativo, levando em consideração a sugestão da importância do personagem em sua introdução. Esse é o mesmo caso de Wallace Keefe (Scoot McNairy). Os fãs mais fervorosos do super-herói podem tentar justificar essa falta de coerência narrativa alegando que é uma referência, porém causar nostalgia com referências não faz cinema de qualidade. Essa estratégia pode ser usada para enriquecer a obra, porém o filme não pode se sustentar nisso, pois ele não é feito apenas para os apreciadores do produto de origem. Novamente, o filme precisa ser soberano.

Porém, esse não é o único problema no roteiro. É tudo muito conveniente. Quando é bom para a narrativa, o Superman consegue localizar o indivíduo em perigo (usando apenas sua percepção aguçada) para salvá-lo, e quando não é conveniente, essa capacidade do Homem de Aço é simplesmente ignorada. Outra coisa que causa incomodo é a forma com que Batman e Superman deixam de ser inimigos mortais, para se tornarem grandes amigos que arriscariam suas vidas um pelo outro. O “gatilho” que faz esse giro na trama é absurdo e risível, toda a sequência beira o infantil, e as motivações dos personagens que foram (mal) construídas durante toda a projeção são alteradas em menos de 5 minutos. É um insulto ao espectador.

Outra coisa que precisa ser mencionada é a insistência de Zack Snyder em usar essa paleta pouco saturada que já foi alvo de críticas em “O Homem de Aço” (MAN OF STEEL, 2013). O filme, durante boa parte da produção, parece morto visualmente. Essa escolha funciona em poucas cenas, a maioria delas tem a presença do Homem Morcego e se passam no primeiro ato. Entretanto, essa escolha logo se torna cansativa e incomoda.

Sobre os personagens, Lex Luthor é um caso curioso, e, surpreendente, a culpa não é (só) de Jesse Eisenberg, e sim de Chris Terrio, David S. Goyer. Os roteiristas entregaram um Luthor extremamente fora do personagem que se assemelha muito ao Coringa, com os trejeitos e tiques. A Mulher Maravilha é outra que parece deslocada na trama. Suas motivações são pouco claras e sua função na narrativa questionável. Ela não possui nenhum momento que justifique, de fato, sua presença no filme. Ela é nada mais que uma estratégia promocional para o próximo filme da DC, o já anunciado “Liga da Justiça”. Inclusive há uma cena absurda quando Snyder desiste de tentar maquiar sua falta de habilidade em contar a história, para fazer uma propaganda descarada da “Liga da Justiça”, apresentando três personagens que não possuem nenhuma ação em “Batman vs. Superman”.

Henry Cavill, retornando como Clark Kent/Superman, ainda parece desconfortável no papel, principalmente quando tira a capa e coloca os óculos. O ator parece não ter achado ainda uma forma natural de dar vida a Kent, e esse é seu segundo filme interpretando o personagem. Porém há uma salvação, e seu nome é Ben Affleck. O questionado ator, alvo de um abaixo assinado em 2013 que pretendia o tirar do papel do Homem Morcego, entrega um Bruce Wayne seguro e convincente, ainda afetado pelos eventos que o deixaram órfão. Affleck também não decepciona como Batman se colocando como uma das melhores encarnações do personagem no cinema. E ele atinge isso trabalhando contra um roteiro raso e um diretor extremamente limitado.

Enfim, “Batman vs. Superman” é um filme fraco, com diversos erros na direção, roteiro, montagem, continuidade etc. Parece mais uma propaganda dos próximos filmes da DC do que o início de uma trama elaborada. Eu não pagaria para assistir a esse filme.

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