THE PEOPLE UNDER THE STAIRS (1991)

stairsTítulo original: The People Under The Stairs
Título nacional: As Criaturas Atrás das Paredes
Gênero: Comédia, Terror
Duração: 1h 42min.
Ano de lançamento: 1991
Diretor: Wes Craven
Roteiristas: Wes Craven
Elenco: Brandon Quintin Adams, Everett McGill, Wendy Robie
Sinopse: Sem conseguir sair de uma casa fortificada que pertence a um casal misterioso (Everett McGill e Wendy Robie), um garoto pobre (Brandon Adams) se vê lançado de repente em um pesadelo. Logo percebendo a verdadeira índole dos moradores homicidas, o menino se confronta com sádicos dispositivos de segurança, torna-se amigo de uma menina esquiva que sofreu abusos e, por fim, descobre o segredo das criaturas ocultas nas profundezas da casa.

IMDb | Rotten Tomatoes | Filmow

O Cine Humberto Mauro exibe, aqui em Belo Horizonte, a mostra “Espasmos do Medo” durante todo o mês de julho, reunindo diversos longas-metragens de terror dos anos 90. E nós, do Movies’ Pub, escreveremos sobre todos os filmes que assistirmos durante esse evento. Para conferir programação completa, visite a página da Fundação Clóvis Salgado.


Este texto pertence à cobertura da mostra “Espasmos do Medo”. 

Os anos 90 é berço de diversas pérolas do cinema de terror, e Wes Craven definitivamente é um dos grandes nomes dessa era. O diretor que tirou de sua mente grandes clássicos do gênero como a série “Pânico” (Scream) e “A Hora do Pesadelo” (A Nightmare on Elm Street), é também responsável por obras menos populares, porém não menos geniais. Uma dessas obras é “As Criaturas Atrás das Paredes” (The People Under The Stairs), filme de 1991 cuja narrativa é – ao mesmo tempo – aterrorizante e divertida.

O filme começa apresentando Williams, vulgo Fool, (Brandon Quintin Adams) garoto pobre que mora em um apartamento com sua irmã e mãe, que acabara de ser diagnosticada com um câncer. Fool, ao saber que sua mãe está para morrer, conhece Leroy (Ving Rhames), um amigo de sua irmã que o propõe uma saída para os seus problemas. O plano: roubar moedas de ouro que se encontram em posse do senhorio do apartamento onde moram. Senhorio esse que pretende despejar todas as famílias do apartamento para demolir o local.

O roteiro parece simples e de fato é. Muitos dos elementos aqui encontrados são também comuns em diversos filmes dos anos 70 e 80. Elementos como: o fato do protagonista ser uma criança que, além de afrentar problemas da vida cotidiana, se depara com algo de natureza fantástica; a busca ao tesouro perdido; o confronto com o desconhecido e, finalmente, o desfecho satisfatório que deixa uma mensagem positiva e esperançosa. Porém, Craven adiciona uma pitada de nonsense, e, junto, outra de deboche. Mistura essa que, ao final do segundo ato, faz o roteiro gritar: não me leve a sério. E não levar a sério é o prato do dia.

Há, no roteiro, uma estruturação interessantíssima que agradará tanto aqueles que buscam o clima de suspense, pendendo para o terror, tanto os que buscam algo mais eletrizante, no campo da ação. Mas o fato é que, durante toda a projeção, o espectador ficará preso à trama e seus desenlaces. Mas para isso, e é importante dizer novamente, não se pode levar a sério.

O primeiro ato é quase que inteiramente voltado ao suspense. Aqui, o clima de tenso impera, e alguns jumpscares são colocadas aqui e ali e funcionam bem. É também quando são apresentados os antagonistas donos do apartamento onde Fool mora, que são construídos como outra ameaça ao herói. Portanto, nesse ponto da trama o personagem tem que se preocupar com o casal e as pessoas debaixo da escada e atrás da parede. Porém, o roteiro é dinâmico e logo esse quadro se inverte, dando novo ar a trama, que nunca entra na mesmice.

Já o segundo e terceiro atos são voltados a perseguição dentro da casa. O clima de suspense é drasticamente diminuído em proporção e, no lugar, entra um jogo de gato e rato. Essa dinamicidade do roteiro, que apontei anteriormente como positiva, tem também um lado negativo. Isso pode aparentar, à primeira vista, que o tom não é bem estabelecido pelo diretor, porém, acredito que essas viradas dão ainda mais intensidade ao lado de humor nonsense, que é bem forte no filme. Para dar um exemplo, há uma cena em que um cachorro desce de escorrega em uma bandeja do lado de dentro para fora das paredes e aterrissa na cozinha, frente a seus donos.

As atuações são divertidíssimas, principalmente a do pequeno Adams que entrega o texto com toda a naturalidade do mundo. Todas as piadas são entregues no ponto certo pelo ator, que apresenta um bom timing para a comedia, e, além disso, entrega também momentos sutis que funcionam perfeitamente bem como gags visuais. Como por exemplo, quando ele usa um objeto de metal para atacar um outro personagem, mas na primeira batida esse objeto quebra. Nessa cena, Adams parece verdadeiramente frustrado enquanto se vira para procurar outra “arma”, tornando uma cena meramente de ação, em um dos momentos mais engraçados do filme.

Outro ponto positivo é a direção de Craven, que é capaz de criar diversos climas na trama sem parecer desleixado em momento algum. O diretor abusa dos ângulos holandeses para filmar cenas dentro da casa. Ele o faz com o objetivo de causar estranheza ao espectador ao evidenciar a natureza bizarra dos acontecimentos ali presenciados. Tudo isso é potencializado por essa técnica, que tem como característica uma leve inclinação na câmera.

Entretanto, a direção de som não teve tanto trato quanto a direção de cena. Muitas vezes não há sincronia entre a fala e a imagem, o que dá um ar amador a algumas cenas. Além disso, é perceptível, em muitas cenas externas, que o áudio foi gravado em estúdio e colocado sem nenhum trabalho de suavização sobre as cenas, atrapalhando a criação de um universo imersível.

Para concluir, “As Criaturas Atrás das Paredes” é um divertido filme que em momento algum se leva a sério e isso se torna um grande mérito da obra. Há, no fundo, uma crítica à divisão de classes e aos contrastes sociais dos EUA da época, o que valoriza e estabelece o longa em um determinado tempo e espaço, o dando corpo de obra. Há alguns problemas técnicos que atrapalham um pouco o andamento da história, mas, de modo geral, é um filme engraçado que cumpre seu dever de entreter, e entregar alguns sustos.

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