SUICIDE SQUAD (2016)

Com as primeiras exibições de “Esquadrão Suicida” (Suicide Squad, 2016) para a imprensa, começaram a surgir críticas negativas do filme. E, em caminho contrário, fãs da marca foram a defesa. Assim, iniciando, essa semana, uma guerra de pontos de vistas.

SuicideDiscussões sobre cinema são sempre bem-vindas, entretanto, em meio a esse burburinho de opiniões, informações factuais foram esquecidas – deliberadamente ou não – e substituídas por achismos. Como, por exemplo, insinuar que o trabalho do crítico é dar sua opinião sobre determinada obra, informação amplamente circulada em grandes páginas sobre cinema e completamente equivocada.

A subjetividade do autor tem seu valor, entretanto, não é apenas com base nela que uma obra é avaliada. Questões técnicas de linguagem específica, que muitas vezes não são levadas em consideração pelo grande público, são analisadas pelo crítico. Portanto, existe uma base teórica adquirida através de estudos. O crítico não apenas assiste a filmes e da sua opinião, ele se sustenta em estudos sobre a linguagem cinematográfica, e analisa criticamente a obra a partir de um olhar teórico já estabelecido e reconhecido pela comunidade. Portanto o trabalho do crítico vai mais além.

Dito isso, “Esquadrão Suicida” é melhor que “Batman v Superman: Dawn of Justice”, porém, isso não quer dizer muito.

A premissa do filme é problemática. Amanda Waller (Viola Davis), funcionária da área de segurança do governo estadunidense planeja reabilitar prisioneiros meta-humanos com o objetivo de usá-los como arma dos EUA. Waller pretende formar um esquadrão e colocá-lo sob a liderança de June Moon (Cara Delevingne), mulher cujo corpo foi possuído por um demónio chamado Magia durante uma expedição arqueológica. Entretanto, Magia escapa almejando dominar o mundo. Com efeito, o esquadrão formado por meta-humanos que seria liderado por ela passa a ter a missão de destruí-la para salvar o mundo. O argumento do filme é um pequeno paradoxo. Não possui coerência ou lógica narrativa nem no conceito básico que a trama segue, o que, por si só, já é um grandioso problema. Mas não é o único.

Antes preciso admitir uma coisa: eu estava realmente entretido na primeira sequência, em que acontece a apresentação dos personagens principais. A cada um deles, é dada uma música que funciona quase que como um tema próprio. E isso leva a um novo ponto positivo: a trilha sonora. No primeiro ato, as músicas se encaixam perfeitamente na fase de apresentação, ajudando a construir aqueles personagens que, para muitos, são desconhecidos. Mas também, não tem como errar com bandas como: Queen, Creedence Clearwater, AC/DC, The Animals, The Rolling Stones etc. Bom… na verdade tem.

Na medida em que a trama avança, o esperado é que ela fique mais densa e complexa. Espera-se também, em um filme com tantos personagens que foram colocados juntos pela primeira vez, que os diálogos se intensifiquem para desenvolvê-los mutuamente. Porém, isso – em momento algum, acontece. A montagem de apresentação que funciona no início do primeiro ato nunca é esquecida, e perdura durante toda a projeção. O problema disso é que alguns personagens são beneficiados em detrimento de outros, pois o desenvolvimento deles só se dá através dos flashbacks. Isso gera duas coisas: fragmentação da narrativa que não parece engrenar e personagens mal desenvolvidos. Por exemplo, todo impasse que Diablo (Jay Hernandez) possui, poderia ser apresentado gradativamente em forma de diálogos com os outros membros do esquadrão, entretanto, é exposto em um flashback no meio do segundo ato, quebrando o ritmo narrativo.

Diablo é também vítima de uma edição que beira o ridículo. Como quando ele faz para si uma coroa flutuante de fogo, tornando uma cena que é de fundamental importância para construção do personagem em risível.

Para piorar, lá está Jared Leto e sua visão totalmente equivocada do Coringa. Convenhamos, o fracasso formatado como roteiro não o ajuda, as falas parecem ter sido escritas por adolescentes metidos a gênios literários e não acrescentam nada aos personagens. Mas Leto tem, também, sua parcela de culpa. O ator não traz nada de novo para o papel imortalizado por Nicholson e Ledger, parece, inclusive, que sua visão do palhaço é uma mistura malfeita das leituras que o precederam. O lado gângster de Nicholson está lá, assim como o insano de Ledger. Na verdade, uma tentativa de insano. Tentativa essa falha, uma vez que a maior atrocidade realizada em nome de Coringa é de responsabilidade do exacerbado marketing feito antes do lançamento do filme, elevando a expectativa do espectador ao extremo para depois jogá-la no chão e depois pisá-la. E com efeito, Jared Leto é responsável pelo pior Coringa da história do cinema.

Na mesma linha está a Arlequina de Margot Robbie. Outra grande decepção decorrente do marketing mentiroso. O personagem é cansativo, as piadas não saem do lugar comum e não há um desenvolvimento satisfatório para o personagem – assim como todos os outros. Em um momento do filme, há uma fala de Arlequina referindo a si mesmo como chata. Pois bem, ela está certa. O personagem não é chato apenas em seu universo diegético, mas também fora dele, pois, a atriz, em momento algum, encontra sua voz, transformando seu personagem em um buraco negro de carisma.

Sinto que falta humildade a DC Comics. Humildade para reconhecer que está quase uma década atrás da Marvel e não tentar recompensar com dezenas de personagens amontoados em um único filme. Não é assim que se cria um universo cinematográfico. O estúdio repete, então, o erro cometido em “Batman v Superman: Dawn of Justice”: muitos personagens e mal-uso do tempo disponível. Isso faz com que os filmes da DC não tenham cara de cinema, mas de uma longa montagem de imagens bem polidas, porém, sem uma narrativa concisa.

A postura oficial dos contratados da DC é que eles fazem filmes para os fãs, não para os críticos. Tenho alguns comentários sobre isso: 1. É muito fácil falar isso depois de receber críticas negativas. 2. Isso não é jeito de tratar um fã. O jeito certo seria fazer, de fato, bons filmes. E, finalmente, 3. A DC não faz filmes para os fãs. Não mesmo. A DC faz filmes para a concorrente, caso contrário, produziria em seu tempo, criaria um universo respeitável e faria isso naturalmente, filme a filme. Não seguiria o caminho mais curto, como tem feito, forçando um universo criado as pressas goela a baixo de seus fãs usando de psicologia barata para justificar o fato de que seus filmes insistem em fracassar perante à leituras críticas.


FICHA TÉCNICA:

Título original: Suicide Squad
Título nacional: Esquadrão Suicida
Gênero: Ação, Aventura
Duração: 2h 03min.
Ano de lançamento: 2016
Direção: David Ayer
Roteiro: David Ayer
Elenco: Will Smith, Jared Leto, Margot Robbie

IMDb | Rotten Tomatoes | Filmow

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