INFERNO (2016)

Por algum motivo, Ron Howard foi novamente incumbido de adaptar um livro de Dan Brown. Mesmo após as decepções que foram os filmes de “O Código da Vinci” e “Anjos e Demônios”, as expectativas estavam altas para “Inferno”. No entanto, Howard fez de novo. Ele conseguiu transformar uma obra envolvente, com um trabalho de pesquisa primoroso e capaz de gerar um debate sobre o acelerado crescimento populacional em uma grande bobagem. Começo a desconfiar que seja pessoal.

infernoDessa vez, a jornada do desmemoriado Robert Langdon (Tom Hanks) para descobrir como uma cópia do Mapa do Inferno fora parar no bolso de seu paletó acaba se tornando uma corrida contra o tempo para salvar o mundo. O simbologista é o único capaz de rastrear e conter o vírus criado pelo milionário Bertrand Zobris (Ben Foster) com o objetivo de aniquilar parte da população mundial.

Na versão cinematográfica, essa promissora história nunca alcança todo o seu potencial. Graças ao seu desfecho medíocre, a oportunidade de discutir e provocar uma reflexão realista sobre o tema da superpopulação é perdida. Em vez disso, o espectador é obrigado a se contentar com soluções fáceis e moralistas.

A trama complexa, rica em detalhes e referências artísticas em sua concepção, se torna uma sucessão de furos e incoerências nas mãos incompetentes do roteirista. A impressão de estar vendo um trabalho feito de ultima hora prevalece em todos os momentos.

Os personagens, inseridos de forma aleatória e irresponsável, só não causam mais incomodo do que a montagem completamente perdida. Na tentativa de imprimir dinamismo à narrativa, os editores Tom Elkins e Daniel P. Hanley investem no aumento da quantidade de cortes por cena e o resultado é desastroso: sequências extremamente confusas e dispersas.

Em vez de popularizar e despertar o interesse do público para o legado de artistas como Dante Alighieri, Sandro Botticelli, Enrico Dandolo e Giorgio Vasari, suas obras são citadas sem nenhum aprofundamento. Elas se tornam meras justificativas para o andamento da trama e saturam a narrativa, tornando-a cada vez mais inacessível.

O filme não serve nem para atribuir significado aos lugares. As vítimas de Howard provavelmente vão associar o Palazzo Vecchio, o Batistério de São João e a Basílica de Santa Sofia a caos, confusão e correria. Chega a ser desrespeitoso.

Em conclusão, uma grande perda de tempo. Se pudesse dar um conselho a Dan Brown seria romper de vez com Ron Howard, antes que o interesse do público em suas histórias desapareça por completo.


FICHA TÉCNICA:

Título original: Inferno
Título nacional: Inferno
Gênero: Ação, Drama
Duração: 2h 01min.
Ano de lançamento: 2016
Direção: Ron Howard
Roteiro: David Koepp
Elenco: Ben Foster, Tom Hanks, Sidse Babett Knudsen

IMDb | Rotten Tomatoes | Filmow

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