SING (2016)

Música, cores e animais. Diante da santíssima trindade do entretenimento infantil, os cineastas Garth Jennings e Christophe Lourdelet, responsáveis por “Sing”, enxergaram um atalho precioso para o sucesso. Neste contexto, surge a necessidade de reafirmar que o fato de se produzir uma obra voltada para este publico não exime da responsabilidade com a qualidade.

modeloA animação é ambientada em um contexto teatral. Devido à presença marcante dessa temática no cinema, principalmente em obras do gênero, é fácil cair no lugar comum. Cientes disso, os roteiristas tentam fugir do padrão, se apoiando exageradamente em coincidências, mal-entendidos e na “falta de jeito” dos personagens para dar prosseguimento à narrativa, empobrecendo-a consideravelmente.

A trama gira em torno do coala Buster Moon, o dono de um teatro à beira da falência, que idealiza um espetáculo musical com o objetivo de arrecadar dinheiro para pagar suas dívidas. No entanto, graças a um “erro de digitação” de sua desastrada secretária, o valor oferecido vai muito além de seu orçamento. Quando o animal descobre o mal-entendido já é tarde demais: os participantes estão selecionados e extremamente motivados pela premiação.

Os participantes desse espetáculo, aliás, representam um dos grandes defeitos do filme. Extremamente caricatos, são personagens que podem ser facilmente rotulados: o rato arrogante, a elefante insegura e a porca dona de casa. No momento em que são apresentados já se conhece boa parte dos rumos de suas trajetórias e a lição que será extraída delas. Encaro como uma tentativa brincar com estereótipos e enriquecer o filme. No entanto, o tiro acaba saindo pela culatra: os clichês são incômodos e a narrativa é apressada.

“Amador” seria a palavra para descrever o roteiro de “Sing”. Apesar de estruturar bem as inúmeras tramas que apresenta e reuni-las com sabedoria no terceiro ato, a narrativa tem sérios problemas de ritmo. Várias cenas e números musicais parecem jogados sem nenhum propósito em momentos absolutamente aleatórios. O filme é também problemático no que se refere às motivações. Ele investe em um recurso que consiste na presença de vozes afinadas que adquirem poderes mágicos de persuasão, se tornando motivo bom o suficiente para justificar alterações drásticas no comportamento dos personagens.

Além disso, trata-se de uma comédia com um senso de humor extremamente acomodado, com piadas que vão do “sem graça” ao ofensivo. Exemplo disso é a fracassada tentativa de satirizar o K-pop através de esquilos irritantes e incomunicáveis.

Apesar de contar com uma animação tecnicamente boa e acertar na criação de um universo onde animais são humanizados, “Sing” peca na execução. A equivocada utilização da santíssima trindade do entretenimento infantil deveria produzir apenas um efeito positivo: tornar as crianças mais exigentes.


FICHA TÉCNICA:

Título original: Sing
Título nacional: Sing: Quem Canta Seus Males Espanta
Gênero: Animação, Comédia, Drama
Duração: 1h 48min
Ano de lançamento: 2016
Direção: Christophe Lourdelet, Garth Jennings
Roteiro: Garth Jennings
Elenco: Matthew McConaughey, Reese Witherspoon, Seth MacFarlane

IMDb | Rotten Tomatoes | Filmow

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