LA LA LAND (2016)

Na virada do século, havia grandes expectativas em M. Night Shyamalan. O diretor fora comparado a Spielberg por diversos críticos e tudo indicava, até o lançamento de seu quarto filme, que a sua carreira apontava para o absoluto sucesso. Entretanto, o diretor se perdeu em projetos extremamente auto referenciais e o pedantismo tomou conta. Expectativas, às vezes, não se tornam concretas, mas – felizmente – às vezes sim. Depois de “Whiplash” e agora com “La La Land”, tudo indica que Damien Chazelle entrará de cabeça no lado positivo da expectativa.

la-la-landÉ importante, antes de partir para a análise, frisar que “La La Land” é uma homenagem aos musicais da Era de Ouro do cinema americano. Esses filmes tinham um caráter otimista, o que não é estranho, uma vez que a expansão do estilo se deu logo após a segunda guerra mundial. Esse contexto é necessário para que não haja leituras equivocadas do filme, categorizando-o como inverossímil devido ao tom confiante.

Outro ponto que merece atenção para que a obra seja apreciada em sua plenitude, é a estúpida necessidade de apontar micro agressões em tudo. Ao contrário do que diz uma pequena parcela da crítica, “La La Land” não é um filme que se perde em seu tom otimista e nem é – de forma alguma – racista. Tais alegações parecem ter sido retiradas de uma sketch do “Monty Python”, mas são reais.

 “La La Land” narra a história de Mia (Emma Stone), uma atendente de cafeteria que busca alcançar seu sonho de ser uma atriz em Los Angeles e de Sebastian (Gosling), pianista que almeja abrir um clube de jazz, sua maior paixão. Os dois se apaixonam e, juntos, procurarão maneiras de atingir seus objetivos. A premissa do longa é simples, não há extravagancias no roteiro, entretanto, a forma com que ele é regido é magistral. Todas as extravagâncias deixadas de lado na parte inicial da produção estão presentes em cada quadro do filme.

Essa positiva extravagância de estilo fica clara logo na sequência que abre o longa. O número musical aqui presente é, talvez, o melhor coreografado de toda a projeção, além de ser o maior em escala, tanto de locação quanto de quantidade de pessoas em cena. Tudo é muito bem ensaiado e rodado. Esse é um ponto louvável em “La La Land”, os números musicais são feitos com a menor quantidade possível de cortes, estes invisíveis, deixando a câmera flutuar pela cena acompanhando os atores, dando a estes o foco total em aparentes planos sequência.

A forma com que Chazelle define o foco narrativo de algumas cenas também merece destaque. Nos números musicais chave a iluminação do cenário diminui deixando apenas os protagonistas iluminados. Essa ideia de imersão é também refletida nos sentimentos das personagens. Mia e Sebastian permanecem na luz enquanto todo o resto é escondido pela escuridão, essa é uma forma do diretor de enfatizar o centro emocional da narrativa sem dizer sequer uma palavra. Um ótimo exemplo é o devastador último número musical.

Outro uso de linguagem que contribui com a narrativa é quantidade decrescente de músicas no decorrer da projeção. Com isso, há uma quebra com o estilo dos musicais clássicos. E assim como o estilo, o tom também é alterado. Esse uso da linguagem reflete todo o embate de Sebastian a respeito do Jazz. Ele inicia com ideias conservadoras para manter o gênero musical como era em sua origem, mas muda sua forma de pensar e adere a novos conceitos. O estilo de Chazelle para contar sua história é precisamente esse, os dois primeiros números são semelhantes em tom e objetivo aos musicais clássicos, porém ele não se mantém engessado a isso, atualizando algumas convenções do gênero. Até mesmo a forma de rodar os números foi modificada do primeiro para o segundo e terceiro ato. As duas primeiras canções são claramente gravadas em estúdio, o que as faz soar perfeitamente artificiais, enquanto músicas posteriores, como o dueto no piano e o solo de Mia no teste de elenco são mais naturais, explicitando mais emoções nas performances, como riso e choro. Essa escolha de Chazelle engrandece ainda mais a metáfora de linguagem usada para discutir os valores de Sebastian em relação ao Jazz.

“La La Land” é uma grande homenagem de Damien Chazelle aos musicais clássicos. A deslumbrante direção de arte em meio a sets de filmagem e pontos turísticos de Los Angeles remetem a grandes títulos hollywoodianos, como “Cantando na Chuva” e “Juventude Transviada”. Tudo isso e ainda a excelente química entre Ryan Gosling e Emma Stone, que parecem genuinamente gostarem um do outro, fazem do filme uma rica obra em referencias sutis, porém sem nunca perder sua originalidade e estilo próprio.


FICHA TÉCNICA:

Título original: La La Land
Título nacional: La La Land: Cantando Estações
Gênero: Comédia, Drama, Musical
Duração: 2h 8min
Ano de lançamento: 2016
Direção: Damien Chazelle
Roteiro: Damien Chazelle
Elenco: Ryan Gosling, Emma Stone, Rosemarie DeWitt

IMDb | Rotten Tomatoes | Filmow

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