KONG: SKULL ISLAND (2017)

“Kong: Skull Island”, novo longa de Jordan Vogt-Roberts, chega aos cinemas esta semana prometendo mais uma história tradicional sobre King Kong. No entanto, a grande variedade de espécies exóticas que habitam a ilha da caveira deve surpreender o público. Trata-se de um filme que funciona como introdução de uma nova franquia, apresentando um universo cujas criaturas são assustadoras, fascinantes e humanizadas. Elas possuem personalidades, intenções e conflitos próprios, o que nos permite até traçar um paralelo entre as mesmas e os humanos. Concebido com sabedoria, o coerente contexto apresenta grande potencial de desenvolvimento futuro.

kongAqui, a narrativa segue os cientistas Bill Randa (John Goodman) e Houston Brooks (Corey Hawkins), que reúnem uma equipe de profissionais que conta com militares, rastreadores e jornalistas para explorar e uma ilha misteriosa e isolada no pacífico. Na chegada, o encontro turbulento com um guardião inesperado se mostra um grande empecilho para os exploradores. Reunir provas dos fenômenos estranhos que ali acontecem, sobreviver diante dos inúmeros perigos e conviver com personalidades e perspectivas tão diferentes entre si são alguns dos desafios que o grupo enfrenta durante a experiência.

Infelizmente, todos os personagens do filme são rasos e poderiam ser definidos em uma só palavra. Apesar de falhar na tentativa de desenvolvê-los, o roteiro acerta ao transformá-los em alívio cômico, provando que o humor pode ser, muitas vezes, a melhor saída. O estrelado elenco se sai bem, demonstrando compreensão da função de seus personagens na trama e se esforçando ao máximo para minimizar suas falhas de concepção.

A trama apresenta uma estrutura eficiente. A atmosfera de mistério em torno da ilha é criada com perfeição no primeiro ato e intensificada no segundo com a revelação pontual das principais “atrações”, feita de tal forma que preserva a tensão e não prejudica o ritmo. As sequências de ação são envolventes e as reviravoltas ajudam a manter o interesse do público ao longo da projeção. Apesar de possuir um desfecho previsível, o filme é honesto e permanece fiel à sua essência até o último minuto.

Devido à relativa simplicidade de seu enredo, o filme investe pesado nos recursos audiovisuais, dependendo fortemente da combinação entre efeitos especiais eficientes, uma fotografia marcante e locações deslumbrantes para criar seu espetáculo. A edição de som e a trilha sonora também são aspectos que se destacam e contribuem para a originalidade do filme.

“Kong: Skull island” faz a linha cinema escapista, capaz de divertir e agradar o espectador que estiver disposto a embarcar em uma história despretensiosa que, apesar de fazer o velho alerta sobre os riscos de se desafiar a natureza e um breve comentário anti-guerra, se abstém de reflexões profundas. Apesar de possuir falhas narrativas, é tecnicamente impecável e merece ser lembrado como um dos mais satisfatórios dentro de seu gênero.

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