WAR FOR THE PLANET OF THE APES (2017)

Tudo parecia indicar que “Planeta dos macacos: a origem”, era um filme sobre a improvável amizade entre um cientista e um macaco super-inteligente. No entanto, quem deu uma chance ao longa estrelado por James Franco logo percebeu que tratava-se do pontapé inicial de uma franquia acima da média, que retratava os seres humanos deixando de possuir o monopólio da racionalidade, e perdendo espaço para uma espécie relativamente semelhante. Em “Planeta dos macacos: o confronto” a mudança de tom foi notável. A série apresentou uma nova faceta: o propósito de narrar a trajetória de Ceasar, um verdadeiro líder revolucionário. Agora, em “Planeta dos macacos: a guerra”, o público deve se surpreender positivamente com a constatação de estar diante de uma série de ficção científica extremamente bem planejada.

Nesse último episódio, a comunidade formada pelos macacos expostos ao vírus símio se encontra no estágio mais avançado de seu processo de humanização, construído cuidadosamente ao longo dos três filmes. Seu líder, Ceasar (Andy Serkis) tem a difícil tarefa de formar e liderar um exército para defender a espécie em uma guerra sangrenta contra os humanos. Conflito que não conseguira evitar em “confronto” devido à traição do vingativo e inconsequente Koba (Toby Kebbell).

Apesar de ter morrido no episódio anterior, o principal rival de Ceasar se faz presente de forma marcante em “guerra”. Koba ressuscita na consciência do protagonista quando este tem seu lado vingativo despertado após o assassinato brutal de sua família. Trata-se da etapa final e mais importante do desenvolvimento do personagem. A postura de Ceasar diante do conflito entre seu lado humano e seu lado primata é definidora na formação de seu caráter, e permite ao público conhecer melhor as nuances de sua personalidade.

O aprofundamento do personagem só é possível graças ao trabalho impressionante de Andy Serkis, que apresenta plena compreensão da trajetória emocional de Ceasar e transmite sua revolta e sua determinação em uma performance que, muitas vezes, é ofuscada pela tecnologia de captura de movimento – muito bem empregada – afastando do ator o merecido reconhecimento.

Em “Guerra”, todos os personagens são bem desenvolvidos e possuem funções específicas dentro da narrativa. Exemplo disso é o Coronel (Woody Harrelson). O vilão é inserido com sabedoria na história para servir ao propósito de contribuir para o autoconhecimento de Ceasar, que se identifica com suas motivações apesar de repudiar suas atitudes.

Também são apresentados novos aliados, como Bad Ape (Steve Zahn), que exerce dupla função ao se revelar um alívio cômico eficiente; e Nova (Amiah Miller), garotinha que desenvolve uma amizade com o orangotango Maurice (Karin Konoval) e possui a importante função de ilustrar a possibilidade não concretizada de convivência pacífica entre as espécies. Trata-se de uma severa critica à tendência de segregação da espécie humana.

O diretor Matt Rever conclui a nova trilogia “Planeta dos Macacos” com uma narrativa surpreendente, envolvente e bem estruturada, que encanta pela construção de um contexto convincente e pela forma com que conduz o personagem principal em um processo de amadurecimento admirável.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s