THE BEGUILED (2017)

O novo longa de Sofia Coppola é a prova definitiva de que um material já explorado anteriormente pode originar uma obra extremamente inovadora, basta ter um propósito bem definido e uma boa dose de criatividade. A nova versão de The Benguiled – livro que fora adaptado por Clint Eastwood nos anos 70 – apresenta uma perspectiva totalmente nova, que a torna relevante, interessante e soa moderna mesmo ambientada no século XIX, em plena guerra civil americana.

A narrativa se inicia quando as moradoras de um internato no sul dos EUA resolvem acolher um soldado Ianque ferido que haviam encontrado na floresta. A presença do estranho afeta drasticamente o cotidiano pacato dessas mulheres, que se resume basicamente a aulas de música, bordado, jardinagem, orações e jantares à luz de velas.

A história se desenrola de tal forma que foge de maniqueismos graças à complexidade dos personagens. Analisar o todo e refletir sobre como as ações de uns afetam a vida de outros é mais válido do que uma tentativa de identificar mocinhos e vilões. Um exemplo de interação que apresenta conflito de motivações individuais e gera os desdobramentos que conferem forma à narrativa é a do soldado McBurney (Colin Farrell) com a jovem Edwina (Kirsten Dunst). O comportamento dele, que se justifica pelo anseio de livrar-se dos horrores da guerra e ainda realizar seus desejos sexuais, vai de encontro ao dela, que concebe uma oportunidade de libertar-se da vida regrada no internato e viver um grande romance.

Toda a ação se passa nos corredores, cômodos e dependências externas de uma casa grande e elegante, que se torna claustrofóbica devido à rigidez das normas internas que pregam os valores tradicionais da época. Para auxiliar na construção dessa atmosfera a diretora utiliza o som de bombas como trilha diegética, reforçando o contexto conturbado e instável em que o filme se passa.

O grande diferencial de The Benguiled é o paradoxo estabelecido entre a forte dependência desse ambiente conservador e a narrativa com tendências sutilmente progressistas. Além de retratar as mulheres como seres portadores de apetite sexual, a adaptação de Coppola normaliza tal comportamento, quebrando uma expectativa pré-estabelecida de vê-las em posição de meras acompanhantes, que apenas reagem às ações dos homens.

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