AMITYVILLE: THE AWAKENING (2017)

Foram, ao todo, dezoito filmes baseados nos fatos reais que deram nome a “The Amityville Horror” (1979), longa original do diretor Stuart Rosenberg, além de um livro de mesmo nome de 1977, escrito por Jay Anson. Grande parte dos longas foram lançados diretamente em home-video, sendo que a última leitura a aparecer no cinema foi a do ano de 2005, desastrosamente dirigida por Andrew Douglas. E depois de alguns anos de adiamentos e incertezas, a franquia “Amityville” está de volta às telonas.

A nova história segue a família de Belle (Bella Thorne) que, após seu irmão gêmeo James (Cameron Monaghan) sofrer um acidente e ficar em estado vegetativo por dois anos, se muda juntamente com sua mãe Joan (Jennifer Jason Leigh) e a irmã caçula Juliet (Mckenna Grace) para a famosa casa de Amityville onde ocorreu uma sangrenta chacina de uma família 40 anos atrás. As coisas ficam mais estranhas quando James começa a ter uma melhora milagrosa, no entanto, devido à fama assombrada da casa, Belle desconfia que algo ruim possa estar tomando o copo do irmão. Nesse ponto, o filme tenta trazer um pouco de originalidade, já que não se trata de reboot, remake ou de uma continuação, mas sim de um roteiro original que se passa nos dias atuais, inclusive com o livro que deu origem a história, e os dois filmes sendo citados pelo amigo de Belle, Terrence (Thomas Mann), em um exercício metalinguístico interessante. Aliás, este personagem, sendo um aficionado por histórias de terror, tem a única e exclusiva função de trazer os elementos da obra original através da metalinguagem.

No entanto a originalidade para por aí, o filme de Franck Khalfuon (‘P2’ e ‘Maniac’) não só fica limitado aos clichês da obra original como também não traz muito de novo ao gênero “terror adolescente”. A partir do segundo ato, não parece ter havido o menos um simples esforço para dar novos ares para a franquia. A produção segue um roteiro previsível, e apesar de não abusar dos famosos jump scares, não há eficiência no uso de outros recursos que causem medo. As cenas que deveriam ser mais impressionantes acabam não causando o impacto necessário para surpreender ou assustar o espectador. Não é possível observar nada marcante na fotografia, movimentos de câmera ou trilha sonora. Nenhum desses elementos parecem ser trabalhados com empenho pelo diretor, o que trás um ar genérico à obra. Além disso, as personagens são unidimensionais, sendo a mãe, Joan, a única com algum tipo de desenvolvimento, mas no final sua motivação se revela tão mal escrita que chega a ser ridículo. Khalfuon, que também assina o roteiro, ainda parece tentar trazer algum tipo de discussão de cunho religioso, porém ela não se sustenta, culminando em um final preguiçoso que não nos traz nem metade da tensão que um bom filme de terror deveria trazer.

As atuações aqui são em geral aceitáveis, mas não chegam a ser boas. Bella Thorne faz uma adolescente genérica com alguns poucos momentos de carga dramática, mas trabalha bem com o material disponível. Leigh consegue passar bem a sensação de uma mãe que foi marcada pela morte do marido e pelo estado vegetativo do filho, porém o grande destaque é Cameron Monaghan, que consegue transmitir toda a carga emocional do personagem, mesmo sem falar nada durante a maior parte do filme. Thomas Mann, assim como Taylor Spreitler (que interpreta a amiga de Belle, Marissa), também estão bem, mas seus personagens são pouco explorados. Outros que aparecem menos são Kurtwood Smith (Dr. Milton, médico de James) e Jennifer Morrison (Candice, irmã de Joan), que são bons atores, mas não tem nenhum destaque aqui.

Por fim, “Amityville: O Despertar” é um filme fraco, sem brilho nenhum na direção e que só não é um desastre completo devido às atuações regulares e ao bom exercício da metalinguagem, que infelizmente fica limitado ao primeiro ato. No mais o filme pode até divertir uma audiência mais casual, mas, apesar da premissa interessante, a falta de originalidade o torna uma obra pouco memorável e provavelmente ficará esquecida no mar de produções semelhantes e igualmente esquecíveis que Hollywood lança todos os anos.

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