DARKEST HOUR (2017)

A temporada de premiações reserva para o fã de cinema obras extremamente características dessa época do ano. Essas surpresas se materializam em forma de filmes produzidos com o único objetivo de ganhar estatuetas seguindo um “padrão” narrativo de sucesso, são eles os chamados de “filmes de Oscar”. Não existe uma formula exata para se categorizar esses filmes, mas é impossível não os reconhecer. “Darkest Hour”, do diretor Joe Wright, é um exemplo desse subgênero sazonal.

Aqui é narrada a história real de Winston Churchill, ex-primeiro-ministro da Inglaterra que guiou o país por um dos momentos mais críticos da história da história da Europa. A obra de Wright foca nos acontecimentos de Dunquerque, quando os alemães encurralaram o exército francês e o inglês no litoral da França, cabendo então a Churchill tomar as decisões de guerra necessárias e orquestrar um plano de resgate para os mais de 300.000 soldados presos entre o oceano e os nazistas.

“Darkest Hour” é, portanto, os bastidores da história que foi contada anteriormente por Christopher Nolan em “Dunkirk”, e esse é um dos grandes problemas da obra de Wight. Ao contrário de seu antecessor, um empolgante filme de guerra, criativo na execução e decisões de roteiro, além de trabalhar brilhantemente as linhas temporais, “Darkest Hour” é um drama político enfadonho, sem vigor e genérico que não tenta, em momento algum, subverter o gênero ou criar algo próprio, os envolvidos parecem satisfeitos em seguir o modelo de “biografias de Oscar” para abocanhar alguma estatueta. A comparação entre ambos os filmes é inevitável e o sentimento que fica ao assistir “Darkest Hour” é de que o tempo seria melhor aproveitado assistindo a “Dunkirk”.

Entretanto, há algumas poucas boas sacadas na direção de Joe Wright como, por exemplo, a cena do primeiro pronunciamento de Churchill no rádio. A combinação da iluminação vermelha com os planos detalhes do avanço do ponteiro do relógio são um fiel retrato do estado de espírito da personagem naquele momento em que ele teria que, pela primeira vez, mentir para o público e ir contra o que ele, de fato, acreditava.

Outro momento que merece destaque é a sequência no metrô do terceiro ato, quando Churchill interage com o povo antes de tomar a decisão mais importante de sua carreira política. Naquele momento é fechado um arco da personagem iniciado no início do primeiro ato, quando em um diálogo ele fala sobre nunca ter usado o transporte público. Esse momento é também importante para humanizar a personagem. Essa cena ainda trabalha no campo metafórico sendo que Churchill não sabe ao certo qual direção seguir quando entra no metrô, quem o “guia” é uma garotinha que, na cena, representa o povo inglês. Isso é o que acontece concretamente dentro do trem, o então primeiro-ministro se apoia na decisão do povo para seguir em frente com o seu próprio ideal.

Entretanto é importante afirmar que nenhum desses méritos seria atingido se não fosse pela brilhante atuação de Gary Oldman na pele do político. Oldman está irreconhecível no papel, não apenas pela maquiagem, mas por todas as nuances da personagem. Definitivamente é o grande favorito a melhor ator em 2018, atingindo assim o objetivo único do estúdio.

“Darkest Hour” é vazio e genérico com algumas poucas boas ideias na direção e roteiro. A obra não mereceria uma revisitação caso não houvesse a fantástica performance de Gary Oldman como Winston Churchill, que se engrandece ainda mais próximo a pequeneza criativa do filme.

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