DEADPOOL 2 (2018)

Continuações no mundo do cinema de gênero pode tanto consolidar quanto destruir uma franquia. No caso de “Deadpool”, a Fox se arriscou ao investir no filme de um personagem pouco conhecido do grande público e deu a sorte de arrecadar uma boa bilheteria e crítica. Provando que dois raios podem sim cair no mesmo lugar, o Mercenário Tagarela novamente traz um frescor aos filmes de herói e pode muito bem consolidá-lo como uma franquia lucrativa do estúdio.

No novo longa, Deadpool/Wade Wilson (Ryan Reynolds), tentando encontrar um novo sentido para sua vida, decide proteger o adolescente mutante Russel Collins (Julian Dennison) do viajante no tempo Cable (Josh Brolin) e para isso resolve montar um grupo de “heróis” chamado X-Force.

A mudança de Tim Miller, diretor do primeiro filme, para David Leitch é sentida logo nos primeiros minutos da trama. Leitch tem muito mais eficiência para trabalhar com as sequências de ação e com a atuação do elenco. A quarta parede novamente não parece existir para Wade e, apesar do filme manter o tom do primeiro, contendo muitas piadas e referências da cultura pop, as cenas de violência são bem mais ousadas e sangrentas.

O roteiro de Rhett Reese e Paul Wernick não é nada original, e lembra muitos outros filmes com temática de viagem no tempo, como “O Exterminador do Futuro” (James Cameron, 1985) e “Looper” (Rian Johnson, 2012). No entanto os escritores estão cientes disso conseguem brincar com a previsibilidade da temática e transformar brilhantemente em humor.

As piadas do filme se dividem e dois tipos: as de referência a cultura pop e o cinema em geral (principalmente a filmes e quadrinhos de heróis), e as auto referenciais que, em sua maioria, são uma extensão das piadas do primeiro filme. Pode parecer repetitivo trazer piadas do longa anterior para o novo, porém o roteiro é eficiente ao conseguir manter o efeito cômico. Além da comédia e da ação, o roteiro também consegue surpreender o público em alguns momentos e colocar um pouco de dramaticidade.

As melhores atuações do filme são do quarteto Ryan Reynolds, Josh Brolin, Zazie Beetz, que faz a heroína mutante Dominó e Karan Soni, o motorista Dopinder. Reynolds continua cada vez mais encarnado no Deadpool, o ator se encaixa tão bem que se confunde com seu personagem. Brolin consegue dar profundidade e dramaticidade para Cable, mesmo que o roteiro não desenvolva tão bem o personagem. Beetz nos traz a única integrante da X-Force, além de Wade, que tem algum destaque e desenvolvimento na trama. Ela é irônica, inteligente e protagoniza uma das melhores cenas de ação do filme. Soni desenvolve seu personagem de forma magistral, ainda que ele se resuma a uma piada que é estendida até o final da história. Outras boas participações são de Dennison, que vem com uma atuação bastante convincente e um dos momentos mais engraçados. Os X-Men, Stefan Kapicic (Colossus), Brianna Hidelbrand (Míssil Adolescente Megassônico) e Shioli Kutsuna (Yukio), aparecem pouco, mas bem, com um ótimo timing cômico, além de Morena Baccarin, que volta no papel de Vanessa, mas não tem o mesmo destaque do primeiro filme.

A única inovação que é trazida para esse longa são as cena pós-crédito, que levam a quebra da quarta parede para um outro nível. No entanto, apesar de não trazer tanta originalidade quanto o primeiro filme, Deadpool 2 é excelente. Um filme completamente hilário e caótico (no bom sentido). Uma diversão que vale o ingresso do cinema.

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