CRÍTICA: SEXY POR ACIDENTE (2018)

O filme novo estrelado pela atriz e comediante Amy Schumer, Sexy por Acidente (I Feel Pretty, no original), tem uma proposta bastante interessante e ligada nas ondas recentes do feminismo liberal (do qual Schumer é uma grande porta-voz): é uma comédia romântica sobre se apaixonar por si mesma.

Dirigido e roteirizado por Abby Kohn e Marc Silverstein, a película conta a história de Renee Bennett (Schumer), uma funcionária do site de uma grande marca de maquiagens que é extremamente insegura com a própria aparência. Um dia, em uma das sessões de spinning às quais se submete em busca do corpo que considera perfeito, Renee leva um tombo feio, bate a cabeça e acorda como a mulher mais linda do mundo. É claro que a mudança só aconteceu na imaginação dela, e, por fora, ela continua a mesma pessoa que era antes, mas a confiança que Renee ganha com a “nova aparência” faz com que ela se porte de uma maneira totalmente diferente. Certa de que a sua recém-adquirida beleza lhe dá toda o direito de lutar pela vida que sempre quis, a jovem passa a cativar todos que a cercam com sua atitude, e vai descobrindo o poder da auto-confiança.

Apesar da premissa interessante, o filme não traz nenhuma novidade relevante na sua proposta cinematográfica, com toda uma construção totalmente clichê e usual nos filmes de comédia romântica. O roteiro é bastante previsível, alternando momentos de descoberta e apelo emocional e empático com picos de comédia, quase todos trazidos pela própria personagem principal – que é a única sobre a qual temos um mínimo de informações.

As atuações, que contam com Tom Hopper (Grant LeClaire), Rory Scovel (Ethan), Aidy Bryant (Vivian) e Busy Phillipps (Jane) também não são dignas de muito destaque, e a personagem que mais se destaca é a de Michelle Williams (que interpreta Avery LeClaire, a CEO da marca de maquiagens Lily LeClaire), que lida com os seus próprios problemas de auto-confiança, apesar de todo o seu sucesso pessoal.

No geral, apesar da tradução péssima que o nome do filme ganhou no Brasil – que remete muito mais a uma tentativa não intencional de se encaixar em padrões do que a uma percepção pessoal sobre a própria imagem -, e do fato de Amy Schumer (branca e loira) ter sido escolhida para o papel ser problemático, a obra tem o seu valor na discussão sobre a pressão que recai sobre as mulheres e a necessidade de que todas possamos nos libertar de padrões e nos sentirmos bem com os nossos próprios corpos e aparências. É uma história sobre gostar de si mesma, e sobre perceber como isso é importante inclusive para que outras pessoas também possam gostar de você. E esse tipo de lembrete nunca é demais.

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