CRÍTICA: SLENDER MAN: PESADELO SEM ROSTO (2018)

Em 2009, um homem conhecido pelo pseudônimo de Victor Surge participa de um concurso de Photoshop criando a imagem de um ser alto, pálido, esguio, com braços e pernas muito longos, sem rosto e usando um terno preto. Inspirado por Stephen King, Surge compartilha a obra em fóruns da internet dando início a lenda do Slender Man. A tal criatura teria como objetivo atormentar e raptar crianças. A história se espalhou, se tornou um meme, um documentário da HBO e agora se tornou um filme.

O longa, dirigido pelo pouco experiente Sylvain White, conta a história de quatro amigas do colegial que resolvem ver um vídeo na internet que promete invocar o Slender Man. Uma semana depois, elas começam a ter pesadelos e uma delas acaba desaparecendo sem deixar rastros. As demais garotas começam a desconfiar de que talvez as lendas sejam reais.

SlenderSó por essa premissa já é possível perceber que originalidade não é o forte da trama. E é verdade. O roteiro de David Birke segue o padrão repetitivo dos filmes de terror de baixa qualidade, o início cético, o desenvolvimento da desconfiança, a certeza e depois a aceitação do perigo. Tudo isso permeado por um drama adolescente mal desenvolvido, facilitações narrativas e decisões pouco inteligentes por parte dos protagonistas.

O elenco e a direção de atores não ajudam em nada. Joey King, que faz Wren, a amiga “mente aberta” que acredita na lenda logo de cara, é exagerada, apesar de conseguir transmitir bem a sensação de medo. Julia Goldani Telles, interpreta Hallie, a cética que acaba tendo uma função de destaque. Sua ruim na atuação não é das piores, mas possui pouco carisma. Jaz Sinclair, claramente a melhor atriz entre as principais, interpreta Chloe, a medrosa, assustada e impulsiva, que é completamente desperdiçada na trama. Katie, a garota desaparecida, é interpretada por Annalise Basso, outra boa atriz que está desperdiçada no longa. Além delas, temos Alex Fitzalan, o interesse amoroso de Hallie, que se encaixa muito mais como personagem secundário de “High School Musical” do que em um filme de terror. O restante do elenco, principalmente os adultos, tem tão pouca e irrelevante participação que não vale a pena comentar.

Para não dizer que o filme é completamente um desastre, White consegue construir bem a atmosfera de tensão, há momentos assustadores no segundo ato, principalmente devido ao modo como a criatura é apresentada e pelos efeitos visuais bem trabalhados. Mas isso não é suficiente para salvar o filme, uma vez que a direção e o roteiro não foram competentes em fazer os famosos jumpscares e muito menos na construção de um terror psicológico. Como isso, no terceiro ato o desfecho fica previsível e completamente sem graça.

A cinematografia também atrapalha bastante. Além de ser totalmente padronizada e pouco criativa, ela é bastante escura. Essa iluminação sombria aparece até mesmo em momentos completamente desnecessários e sem lógica nenhuma, dando a impressão de que não existem interruptores na cidade inteira, já que ninguém ascende a luz quando entra em um cômodo.

A indústria de Hollywood deve lançar pelo menos uns cincos filmes com esses padrões por ano, todos eles igualmente esquecíveis. “Slender Man” poderia muito bem ser um remake ou uma continuação de “O Chamado” que não faria diferença alguma. Totalmente derivado e previsível, o longa provavelmente ficará perdido e esquecido em meio as produções padronizadas e mal feitas do subgênero do terror adolescente.

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