CRÍTICA: SHAZAM (2019)

Não é exatamente difícil perceber a diferença entre filmes que tem ou não tem a influência do não mais aclamado Zack Snyder. Os filmes em que o diretor de “Watchmen” (2009) se envolveu receberam uma resposta negativa tanto da crítica quanto do público. Já os filmes sem seu envolvimento obtiveram reações contrárias, crítica e público estão conseguindo enxergar, literalmente, o que acontece em tela e, finalmente, apreciar produções fílmicas que irão estabelecer a base que o universo DC merece no cinema. “Shazam”, dirigido por David F. Sandberg, ganha destaque ao fugir totalmente do moldado por Snyder e dar um passo além, especificamente no humor, pelo que foi construído em “Mulher Maravilha” (2017) e “Aquaman” (2018).

A introdução da narrativa é feita a partir de um flashback com a apresentação da motivação do vilão Doutor Silvana, interpretado pelo ator britânico Mark Strong, que desde a infância é alvo de comentários desestimuladores por parte de seu pai e seu irmão. Essa cena, para manter o tom de seriedade e justificativa da personagem, é feita com uma paleta escura – o que pode assustar grande parte dos espectadores por remeter à paleta de cores usadas por Snyder em, praticamente, todos os seus filmes. Felizmente, quando somos realocados para o presente da narrativa, as cores passam a ser vivas, nítidas e permitem que o espectador acompanhe a trama.

CanecasUm aspecto bastante importante do filme de Sandberg é a transposição da personalidade de Billy Batson, interpretado por Asher Angel, quando este se torna Shazam, que passa a ser interpretado por Zachary Levi, nosso eterno Chuck Bartowski, que encara com competência a persona de Shazam como um super-herói mais desprendido à valores como honra e responsabilidade. Os atores conseguem manter o mesmo nível de pessoalidade, o que ajuda a firmar o pacto de verossimilhança. Inclusive, esse é um dos maiores acertos do filme, já que essa mesma linha de fidelidade entre personas é mantida quando outras crianças mudam para o aspecto físico adulto. Nesse sentido, é importante ressaltar a atuação competente do par de atores que interpretam Freddy Freeman, Jack Dylan Grazer e Adam Brody, que sempre vai ter a mesma cara de menino mimado que cresceu em Orange County.

A aposta no humor ligado às referências da cultura pop é, definitivamente, o maior dos acertos do filme. Referências à Rocky Balboa – com direito a recriação da música tema, à Game of Thrones, à banda Queen com a música Don’t Stop Me Now e, inclusive, ao MCU fazem parte do enredo. Entretanto, não é apenas de acertos que a obra se constitui. O filme peca em alguns aspectos que, no geral, não atrapalham a experiência positiva. O primeiro deles é a montagem, mais especificamente a cena em que Shazam está de pé e, quando a cena é cortada, ele é visto em um processo de arremessamento em que não vemos seu início, somente seu desenvolvimento e conclusão. O segundo é a resolução de uma das problemáticas do enredo: como o herói conseguirá derrotar o vilão, que carrega dentro de si os 7 pecados capitais? O segredo é desvendado por seus irmãos, que não tem aparatos para tanto e, mesmo assim, descrevem o que deve ser feito instantaneamente. Por fim, os efeitos dos 7 pecados como monstros fora do corpo de Doutor Silvana não convencem tanto e assemelham-se com monstros da primeira fase de Doctor Who.

Percorrendo um enquadramento que atesta que é separável o retrato construído nos filmes da era Snyder do universo da DC, “Shazam”, por fim, abre o precedente de que sim, é possível inserir um tom mais leve nesse universo cinematográfico.

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