SÉRIE: LOVE, DEATH & ROBOTS (2019 – )

Futuros distópicos, viagens intergalácticas, tecnologias absurdamente avançadas, realidades alternativas e várias reflexões sobre o comportamento humano em relação ao mundo que o cerca. Tudo isso faz parte da ficção científica, um gênero tão abrangente que criou uma diversidade rica de subgêneros explorando os mais diversos temas e conceitos. “Love, Death & Robots”, uma das surpresas mais agradáveis da Netflix, chega com o intuito de aproveitar ao máximo toda essa diversidade.

A série antológica conta 18 histórias curtas, cada uma delas com um estilo de animação diferente, totalmente independentes e explorando as várias facetas da ficção científica. Apesar dos temas principais serem amor, morte e robôs, eles funcionam apenas como um ponto de partida para conduzir a narrativa por caminhos diversos. Mesmo que cada episódio tenha seu próprio diretor e roteirista, as mentes por trás da antologia são Tim Miller, diretor de Deadpool (2016) e ninguém mais, ninguém menos que o lendário David Fincher. A dupla ainda se inspirou nas publicações da revista Heavy Metal, um antigo periódico de sci-fi dos anos 70 que já contou com nomes como Grant Morrison e Stephen King entre seu hall de autores.

CanecasDevido a influência desta revista boa parte dos episódios contam com cenas de violência gráfica bastante explicita, nudez e sexo. No entanto, nada disso é gratuito, tudo funciona em favor da narrativa ou do desenvolvimento dos personagens. Ainda que alguns episódios toquem em temas similares, nada é repetitivo. Há histórias mais realistas que tratam de questões políticas e da psiquê humana, outras que caem para o cyberpunk e o steampunk, algumas misturam o mágico e o fantástico e até mesmo algumas mais humorísticas que puxam para um lado mais irônico. Todas essas variações são acompanhadas pelo estilo de animação, os episódios vão de CGI e fotorrealismo até traços psicodélicos e cartunescos, passando por claras influências de quadrinhos e cultura japonesa. O mais interessante de se observar aqui é que a animação sempre conversa com o tipo da narrativa: quanto mais irreverente, mais caricato, quanto mais sério e violento, mais realista. A única exceção é o episódio “Ice Age”, que mistura live action e trata de um tema bastante particular.

Apesar de todas a histórias serem boas e interessantes, algumas sofrem com problemas de desenvolvimento de personagem e universo, já que os episódios tem em geral menos de 20 minutos de duração, como é o caso de “Beyond Aquila Riff”, “Fish Night” e “Secret War”. Por outro lado, alguns episódios se destacam positivamente pela eficiência com que conseguem devolver uma excelente narrativa em pouquíssimo tempo. São eles: “Sonnie’s Edge”, “Three Robots”, “The Witness”, “When the Yogurt Took Over”, “Good Hunting”, “Helping Hand” e “Lucky 13”.

Com pouco alarde e de forma até mesmo surpreendente, a Netflix trouxe um presente bastante agradável para os fãs de ficção científica no sentido mais puro do gênero e suas subdivisões. Muito mais que naves espaciais e raios laser, “Love, Death & Robots” é uma grande compilação daquilo que o ser humano pode trazer de melhor e de pior com seu avanço tecnológico desenfreado, suas próprias perversões e paixões, para o mundo em que vive.

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