CRÍTICA: POKÉMON: DETETIVE PIKACHU (2019)

É um erro achar que filmes voltados para o público infantil devam ser avaliados de maneira diferente dos demais. A recepção do público alvo deve ser levada em consideração, mas não se pode deixar perder de vista a qualidade geral da obra. É claro que uma criança, quando vai ao cinema, não se importa com questão técnicas e estruturais, e sim com enredo e os acontecimentos encenados. Mas é como diz o ditado: criança que cresce com Pixar é mais feliz do que criança que cresce com “Detetive Pikachu”.

A história segue Tim Goodman (Justice Smith), um jovem que tinha como sonho ser um treinador Pokémon, mas acabou em um emprego convencional. Ele descobre, logo no primeiro ato, que seu pai foi morto em um acidente de carro e reage com o sentimento mais apropriado possível: apatia. Aqui cabe fazer um parêntese porque a sessão de imprensa exibiu uma cópia dublada do filme, tornando impossível analisar justamente as atuações, entretanto, não me parece que o áudio dublado mudaria tão drasticamente o tom da trama.

PikachuGoodman, então, conhece uma jornalista, Lucy Stevens (Kathryn Newton), que tem interesse em investigar o acidente. Naturalmente, a apatia do garoto dá lugar ao interesse pela investigação, pois Stevens tem boa aparência. Sim, as motivações não são das melhores. E só piora daqui em diante, principalmente quando é revelada a motivação por trás do plano do vilão, que não consegue ter a decência nem de ser genérica, sendo digna de Framboesas.

Por outro lado, é necessário ser justo: as motivações não se diferenciam muito das encontradas no anime. Entretanto, quando se faz uma adaptação, é preciso analisar se o tipo de narrativa e tom a serem adaptados são apropriados para o novo suporte, e se a resposta for não, é necessário fazer ajustes. Contudo, esses ajustes não foram feitos e parece não haver muita preocupação por parte dos criadores, uma vez eles já revelaram em entrevistas que o objetivo era de agradar os fãs, frase que se tornou um mantra eufemístico para “fizemos um filme ruim que talvez agrade algumas pessoas”.

Há uma ideia válida de criar um universo onde seres humanos convivem com os Pokémons de uma forma pacífica, sem batalhas ou pokébolas, mas isso não é explorado suficientemente bem a ponto de se tornar um ponto positivo. Pelo contrário, o fato dessa história acontecer dentro de uma cidade com essas características, restringe as batalhas a apenas uma cena mostrada nos trailers e não há a procura por Pokémons, um dos atrativos do desenho.

Não há muito o que falar, pois o filme não se propõe a quase nada. “Pokémon: Detetive Pikachu” força a barra nas referências vazias a fim de apelar ao sentimento de nostalgia, pois no fundo sabe que não tem muito a oferecer. Usa uma roupagem estrutural de Film Noir, mas tem preguiça de se debruçar no gênero para satirizá-lo. Enfim, é aquele filme preguiçoso em que os desenvolvedores têm a consciência de que vão recuperar o orçamento e fazer algum dinheiro de bilheteria. Não é bom, não é ruim, não é nada. E talvez ainda ganhe uma sequência porque é colorido e as crianças vão gostar.

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