CRÍTICA: “ALADDIN” (2019) – DISNEY E A PROFUSÃO DOS LIVE-ACTION

Mesmo para aqueles que não são fãs da clássica animação da Disney, produzida nos anos 90, é impossível não sentir a nostalgia assim que se inicia a primeira batida da trilha sonora de Aladdin de 2019. Talvez seja um trabalho mais desafiador para a produção atual, uma vez que a primeira versão se tornou um clássico com sucesso de críticas. Portanto, é quase impossível analisar sem fazer comparações. A Disney, desde 2015, com Cinderela, tem apostado na produção de live-actions, recriando animações clássicas que encantaram e vem acumulando fãs de muitas gerações. Entre os que foram produzidos recentemente, Aladdin é, sem dúvidas, a proposta que mais acertou na releitura.

Aladdin (2019), dirigido por Guy Ritchie, conta a história de um menino que vive sozinho com seu macaco, Abu, e juntos roubam para se alimentar. Em um determinado momento, o jovem encontra, nas ruas, uma moça que se apresenta como Dalia. O rapaz a ajuda a se livrar de uma enrascada e logo se interessa por ela, o que ele não sabia era que a moça era, na verdade, a princesa do reino de Agrabah, herdeira do Sultão. Jafar, o vilão da história, percebendo que Aladdin estava apaixonado pela princesa, faz uma proposta a ele. O garoto deveria entrar em uma caverna mágica e trazer uma lâmpada para o vilão. Em troca, ele faria de Aladdin um homem rico e influente, para que tenha a chance de conquistar a princesa. A partir deste momento, coisas incríveis acontecem com Aladdin e Abu.

aladdinPor ser um musical, trilha sonora é um dos elementos mais importantes do longa, e a Disney apostou acertadamente repetindo a mesma da versão anterior. As crianças tentaram cantar durante todo o filme, ali mesmo, na sala de cinema. Uma novidade que acompanha as músicas são as coreografias que proporcionaram um ritmo mais contagiante com uma proposta mais coerente com a atualidade. É algo moderno, mas que se encaixa perfeitamente com o figurino criado por Michael Wilkinson, que acertou no uso das cores, proporcionando um visual harmônico e condizente com o cenário.

Dentre todas as atuações, e cabe deixar em evidência que assisti à uma versão dublada do filme, a que mais se destacou foi a de Will Smith (Gênio), que trouxe o personagem mais carismático do filme, contracenando perfeitamente com todo o elenco, principalmente com Nasim Pedrad, a verdadeira Dalia, que, sem dúvidas, também cativou ao público. Falando de atuação, é uma pena que não podemos elogiar todo o elenco. Mena Massoud (Aladdin) não conseguiu conquistar o público de primeira, e o que posso pensar é que só o aceitamos bem no personagem malandro e divertido que conhecemos porque Naomi Scott (Jasmine) e/ou Will Smith (Gênio) estavam em cena com o ator. No entanto, a atuação de Massoud ainda é muito mais aceitável se comparada a de Marwan Kenzari, que interpreta o vilão Jafar. A atuação não tem conquistado nem o público infantil. Um exemplo é a reação de uma criança de 5 anos, que estava no cinema, rindo de uma das cenas que deveriam ser de muito suspense e de clima sombrio. Tudo o que assistimos do vilão na animação original não está, nem de longe, presente no filme, não há emoção e muito menos empatia pelo personagem, sobrando toda a torcida do público para outras personagens, incluindo para o tapete mágico.

Uma das poucas diferenças do live-action para a animação é a postura da princesa Jasmine. Ela não quer deixar a vida no castelo para ser uma pessoa comum, mas sim ter um papel de significativo como governante de sua própria vida e de seu povo e, principalmente, sem a ajuda de um príncipe. A versão interpretada por Naomi Scott vai de encontro a uma princesa clássica, que precisa de um príncipe para ser alguém. A garota não espera ser ajudada, ela sabe que é capaz de governar seu povo sozinha e não importa se isso vai contra as tradições antigas do reino. A versão empoderada da princesa traz uma canção nova, que, em sua primeira parte, fala da opressão que sofre e, em seguida, sua superação como mulher que enfrenta um sistema de governo patriarcal.

Aladdin, além de recriar os momentos nostálgicos da animação dos anos 90, aposta em mudanças de enredo na dose certa, como a mudança da princesa Jasmine. Agora, a personagem foi aprofundada trazendo uma voz feminina firme que se impõe e ao mesmo tempo não perde a essência da conhecida princesa. Outra novidade maravilhosa é a aposta nas coreografias e figurinos alegres e vibrantes que proporcionam um clima árabe encantador, digno de uma proposta do mundo Disney. Aladdin é, até agora, o melhor live-action da produtora.

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