CRÍTICA: “GODZILLA II: REI DOS MONSTROS” (2019) – TODOS QUEREM SALVAR O MUNDO, MAS CADA UM DO SEU JEITO

“Godzilla: Rei dos Monstros”, novo longa de Michael Dougherty, se inicia relembrando a caótica primeira aparição do monstro, ocorrida em 2014, retratada no primeiro filme da nova franquia. Cinco anos depois, a preocupação da humanidade recai sobre a tentativa de evitar um novo desastre, já que Godzilla não é o único grande monstro milenar vivendo no planeta.

Quando digo grande me refiro a algo que quase não cabe no enquadramento, nem mesmo no mais aberto do planos gerais. A estratégia de tentar impressionar pelo tamanho dos chamados “Titãs” – talvez o maior atrativo visual do filme – se mostra um grande desafio para os realizadores. Afinal, é um maior do que o outro.

Godzila2A convivência do homem com essas criaturas é fruto de inúmeros debates, gerando posições muito distintas. O governo americano defende uma aniquilação completa dos monstros, pensamento compartilhado por Mark Russell (Kyle Chandler), um dos nossos “heróis”.

Por outro lado, os membros da Monarch, empresa responsável pelo renascimento dos titãs alguns anos antes, acreditam que alguns deles sejam benevolentes. Portanto defendem que haja uma certa política de preservação.

No extremo oposto desse espectro encontra-se Emma Russell (Vera Farmiga). A cientista é mais radical, acredita que a única forma de restaurar o equilíbrio e salvar o planeta é despertando de vez todos os titãs, e permitindo que eles vivam livremente.

Para tornar a situação ainda mais divertida, porque não fazer com que Emma seja ex-esposa de Mark, e que eles compartilhem a guarda de uma filha adolescente (Interpretada por Millie Bobby Brown)? Foi o que pensaram o roteiristas Dougherty, Zach Shields e Max Borenstein. A intenção era criar um conflito familiar e desenvolvê-lo paralelamente à trajetória do monstro que, como a própria Emma afirma, é “maior do que eles”.

A identidade do filme

A história é contada pelo ponto de vista de pessoas-chave, cujas decisões mudam efetivamente o rumo dos acontecimentos – Emma e Mark criaram juntos a ORCA, um dispositivo capaz de exercer certo controle sobre os titãs. O resultado disso é um filme ambientado, em sua maioria, nas claustrofóbicas salas de comando de naves e submarinos, o que pode ser um ponto negativo para muitos espectadores.

Quanto aos princípios lógicos da trama, em muitos momentos o público tem que se contentar com um “é assim e pronto”. Perdemos os Titãs de vista, e agora? Não se preocupe, temos um sistema super moderno de localizadores. E como podemos controlá-los? Por sorte criamos uma máquina que utiliza uma tecnologia infalível de bioacústica.

O lado humano

“Godzilla: Reis e Monstros” tem um elenco de peso. Mas os inúmeros termos técnicos e científicos exigidos para explicar a trama os transforma em meros “explicadores”. Talvez o papel mais ingrato seja o de Sally Hawkins. Sem arco, a Dra Vivenne Graham serve apenas para levar uns sustos e nos dar umas aulinhas.

Farmiga, Chandler e Bobby Brown fazem o que podem seus personagens, mas também têm pouquíssimo tempo para desenvolver um trabalho mais encorpado. Um destaque positivo é a

participação de Ziyi Zhang na pele da Dra Ling. Uma personagem sensata e inteligente, que tem a função de trazer uma valiosa sensibilidade em meio ao caos.

Em suma, “Godzilla: Rei dos Monstros” é mais um desses filmes que propõem uma reflexão sobre a sustentabilidade do planeta. Discussão na qual os humanos tentam, mais uma vez, roubar a cena. Mas, no final das contas, pouco importa o que eles pensam ou fazem. O grande titã veio justamente para mostrar quem é o rei.

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