CRÍTICA: “LOJA DE UNICÓRNIOS” (2017) – MAIS ‘SESSÃO DA TARDE’ NA SUA NETFLIX

Antes de se tornar uma super-heroína nos filmes da Marvel/Disney, Brie Larson fez sua estreia como cineasta produzindo e dirigindo “Loja de Unicórnios” para a Netflix. Inicialmente, a produção não causou muito alarde entre os assinantes, porém, com a estreia de “Capitã Marvel”, em 2019, as coisas mudaram, uma vez que, além de Larson, o elenco de “Loja de Unicórnios” contava com Samuel L. Jackson. O filme foi puxado das profundezas do serviço de streaming e atingiu muitos espectadores.

A trama acompanha Kit (Brie Larson), uma jovem adulta que falha em sua tentativa de ser uma artista plástica e volta para casa dos pais. Pressionada, a garota acha um emprego temporário em uma agência de publicidade. Ao mesmo tempo que ela chama atenção de seu chefe, Gary (Hamish Linklater), ela recebe a oportunidade de adotar um unicórnio das mãos de um vendedor misterioso (Samuel L. Jackson) em uma loja fantástica. Mas, para isso, ela precisa cumprir uma série de requisitos para ser apta a receber o animal mitológico.

CanecasA trama se propõe falar de crescimento, vida adulta e relacionamento com os pais. Há um desenvolvimento interessante dos personagens. Eles acrescentam camadas dramáticas à medida que a protagonista começa a entender realidades diferentes da sua. Larson tem um bom olhar para trabalhar com as cores e iluminação das cenas. Ao lado de um competente design de produção e arte, a, aqui, diretora consegue contrastar a realidade dura pela qual sua personagem está passando e o lado mágico com a oportunidade de ser dona de ser místico. Desde pequenos detalhes como acessórios, passando pelo figurino completo dos personagens, até nas ambientações, tudo muda de acordo com o olhar de Kit. Nos momentos em que ela precisa encarar a realidade do mundo que a cerca e se voltar para o trabalho, há opções por tons mais opacos e uma iluminação mais natural. No entanto, quando a personagem se volta para a saga do unicórnio, as cores mais chamativas e uma iluminação mais saturada começam a aparecer na tela.

O elenco principal ajuda bastante, já que é muito bem selecionado e dirigido. Larson, no papel principal, consegue passar bem a melancolia e jovialidade da personagem. Jackson também aparece muito bem, ao mesmo tempo que seu personagem é cômico, é igualmente misterioso, o que dá um ar de misticismo a ele. Ainda temos nome de peso como Joan Cusack e Bradley Whitford, fazendo os pais de Kit, que têm papéis relevantes na trama e conseguem trazer bem a atmosfera de pais preocupados que tentam aceitar as loucuras da filha. Além disso, Mamoudou Athie faz o par romântico da protagonista, Virgil, que se torna um contraponto interessante ao personagem de Jackson, puxando Kit para a realidade.

Esses pontos positivos são importantes para prender a atenção a premissa inicial do filme, no entanto, não são o suficiente para manter a trama interessante nos atos seguintes. Muito disso se deve ao roteiro de Samantha McIntyre, que, ao invés de se manter focada nos assuntos principais do longa, resolve colocar mais coisas em pauta. Do segundo para o terceiro ato, há discussões sobre machismo, assédio no trabalho, além de observações sobre a indústria da arte e da publicidade. Ainda que sejam pontos interessantes a se discutir, o roteiro não consegue desenvolver bem esses tópicos, resultando em críticas vazias e caricatas. Além disso, a mudança de foco prejudica o aprofundando das ideias iniciais da trama, tornando o que poderia ser uma ótima produção em mais uma comédia romântica clichê, apenas mais um filme “Sessão da Tarde”, divertido, mas esquecível e nada impactante.

Ainda que tenha uma boa produção, direção e elenco, “Loja de Unicórnios” cai em clichês baratos e não os aproveita de forma competente. O que era para ser uma boa trama sobre o peso da vida adulta e pressão da sociedade, acaba virando uma tentativa de crítica social que não chega a lugar nenhum. Podemos até considerar que foi uma estreia positiva para Brie Larson como cineasta, porém ainda faltou robustez e foco no roteiro para ser considerado, de fato, um ótimo filme.

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