LITERATURA: TRIFLES (1916)

Este texto contém spoilers.

Quando pensamos em peças teatrais somos, imediatamente, guiados pelo percurso shakespeariano que domina agendas culturais desde muito antes do período vitoriano. Dramaturgos como Sófocles e Eurípedes, há mais de 2400 anos, já haviam estabelecido o teatro como parte do mundo dos homens. Esse corpo social ganhava destaque não apenas em relação ao enredo, mas, também, em relação à encenação nas arenas gregas: não era permitido que mulheres atuassem, portanto, homens as representavam em cena. Susan Glaspell, em 1916, nos entrega Trifles, uma peça sobre empatia feminina e ajuda a quebrar esse cenário com uma obra digna de muitas adaptações. Continuar lendo “LITERATURA: TRIFLES (1916)”

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RESENHA: BARTLEBY, O ESCRIVÃO (1853)

“Bartleby, o Escrivão”, foi publicado pela primeira vez, anonimamente, em 1853. O nome do autor desta verdadeira crítica ao capitalismo, Herman Melville, foi descoberto somente em 1856, três anos após a primeira publicação do conto. A história nos é contada a partir da perspectiva de um advogado inominado, nosso narrador personagem, que afirma não existir material o suficiente para que apresentar uma biografia de Bartleby. É sob essa ótica, a ótica do que não se sabe, do que não fora dito, que Melville nos conduz por Wall Street, demonstrando as consequências provocadas pelo capitalismo, sendo a desumanização dos sujeitos a pior delas. Tratando-se de um personagem extremamente misterioso, Bartleby é passível a diversas interpretações. Para o desenvolvimento desta análise, é importante, portanto, considerar que nada a respeito de Bartleby pode ser afirmado, apenas sugerido. Continuar lendo “RESENHA: BARTLEBY, O ESCRIVÃO (1853)”

CRÍTICA: TERRA EM TRANSE (1967)

Texto escrito em coautoria com Julia Magalhães.

Terra em Transe é um filme brasileiro lançado em 1967, com roteiro e direção pelo cineasta, ator e escritor brasileiro, Glauber Rocha. Autor também de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963) e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969), Rocha alinha narrativas marcadas por críticas sociais e um estilo de filmagem de técnicas cinematográficas inovadoras, buscando romper com o molde de como se fazia cinema época. Terra em Transe é um dos seus filmes de maior destaque, conquistando lugar na lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) e, importante dizer, o filme é considerado por Glauber Rocha como um filme sobre política e não um filme político. Continuar lendo “CRÍTICA: TERRA EM TRANSE (1967)”

CRÍTICA: COMO TREINAR O SEU DRAGÃO (2019)

Este texto contém spoilers

É bastante comum atrelar o gênero “animação” como algo voltado para o público infantil. Embora Hayao Miyazaki, Isao Takahata, Toshio Suzuki, Yasuyoshi Tokuma, entre outros, já tenham colocado esse emparelhamento em questão com seus filmes e mangás com teor para além do infantil, a animação continua, majoritariamente, sendo considerada pelos espectadores um gênero para crianças. Após assistir a filmes como Toy Story (1995 – ), Up (2009), Coraline (2009), nos parece imprudente corroborar com essa ideia. Como Treinar o seu Dragão 3 (How to Train Your Dragon: The Hidden World) não é um filme apenas para o público infantil. A forma em que o conteúdo temático é apresentado por Dean DeBlois exige de nós uma leitura profunda e admirada sobre as temáticas retratadas para diversos públicos.

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