CRÍTICA: SHAZAM (2019)

Não é exatamente difícil perceber a diferença entre filmes que tem ou não tem a influência do não mais aclamado Zack Snyder. Os filmes em que o diretor de “Watchmen” (2009) se envolveu receberam uma resposta negativa tanto da crítica quanto do público. Já os filmes sem seu envolvimento obtiveram reações contrárias, crítica e público estão conseguindo enxergar, literalmente, o que acontece em tela e, finalmente, apreciar produções fílmicas que irão estabelecer a base que o universo DC merece no cinema. “Shazam”, dirigido por David F. Sandberg, ganha destaque ao fugir totalmente do moldado por Snyder e dar um passo além, especificamente no humor, pelo que foi construído em “Mulher Maravilha” (2017) e “Aquaman” (2018). Continuar lendo “CRÍTICA: SHAZAM (2019)”

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SÉRIE: THE HANDMAID’S TALE (2017 – )

Totalitarismo, queda da Constituição, controle opressivo da sociedade por meio do discurso religioso são algumas das características que compõe uma distopia, e, não por coincidência, são características que marcam a construção de “Handmaid’s Tale”. Sabe-se que a distopia está presente na literatura há pelo menos 94 anos. Opondo-se às construções utópicas, em que tudo é sistematicamente civilizado e igualitário, livros como “O Processo” (1925), de Franz Kafka, “Admirável Mundo Novo” (1932), de Aldous Huxley e “1984” (1949), de George Orwell nos fazem refletir sobre modelos de sociedades e suas devidas organizações nada ideais para boa parte das camadas sociais. Exibida pelo serviço de streaming Hulu e criada por Bruce Miller, “Handmaid’s Tale” é uma adaptação de obra homônima da autora canadense Margaret Atwood.

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CRÍTICA: NO PORTAL DA ETERNIDADE (2018)

No universo cinematográfico, e, aqui, tomo a liberdade de incluir as séries, há diversas abordagens que tentam contar e recontar a história do pintor holandês Vincent van Gogh. Uma das primeiras abordagens já feitas é o curta “Van Gogh”, de 1948, dirigido por Alain Resnais. Entre as mais recentes, temos o longa “Van Gogh: Pintando com Palavras”, de 2010, dirigido por Andrew Hutton e estrelado por Benedict Cumberbatch; o excelente episódio “Vincent and the Doctor”, décimo episódio da quinta temporada de Doctor Who, transmitido pela BBC em 2010; e a animação “Loving Vincent”, feita com pinturas de quadros que imitam as obras de van Gogh. Agora, temos “No Portal da Eternidade”, filme que Julian Schnabel assume a direção e é estrelado pelo veterano Willem Dafoe. A enorme quantidade de produções que tomam a mesma figura como elemento central reforça a importância do holandês para o mundo da arte até hoje. Continuar lendo “CRÍTICA: NO PORTAL DA ETERNIDADE (2018)”

LITERATURA: TRIFLES (1916)

Este texto contém spoilers.

Quando pensamos em peças teatrais somos, imediatamente, guiados pelo percurso shakespeariano que domina agendas culturais desde muito antes do período vitoriano. Dramaturgos como Sófocles e Eurípedes, há mais de 2400 anos, já haviam estabelecido o teatro como parte do mundo dos homens. Esse corpo social ganhava destaque não apenas em relação ao enredo, mas, também, em relação à encenação nas arenas gregas: não era permitido que mulheres atuassem, portanto, homens as representavam em cena. Susan Glaspell, em 1916, nos entrega Trifles, uma peça sobre empatia feminina e ajuda a quebrar esse cenário com uma obra digna de muitas adaptações. Continuar lendo “LITERATURA: TRIFLES (1916)”

RESENHA: BARTLEBY, O ESCRIVÃO (1853)

“Bartleby, o Escrivão”, foi publicado pela primeira vez, anonimamente, em 1853. O nome do autor desta verdadeira crítica ao capitalismo, Herman Melville, foi descoberto somente em 1856, três anos após a primeira publicação do conto. A história nos é contada a partir da perspectiva de um advogado inominado, nosso narrador personagem, que afirma não existir material o suficiente para que apresentar uma biografia de Bartleby. É sob essa ótica, a ótica do que não se sabe, do que não fora dito, que Melville nos conduz por Wall Street, demonstrando as consequências provocadas pelo capitalismo, sendo a desumanização dos sujeitos a pior delas. Tratando-se de um personagem extremamente misterioso, Bartleby é passível a diversas interpretações. Para o desenvolvimento desta análise, é importante, portanto, considerar que nada a respeito de Bartleby pode ser afirmado, apenas sugerido. Continuar lendo “RESENHA: BARTLEBY, O ESCRIVÃO (1853)”

CRÍTICA: TERRA EM TRANSE (1967)

Texto escrito em coautoria com Julia Magalhães.

Terra em Transe é um filme brasileiro lançado em 1967, com roteiro e direção pelo cineasta, ator e escritor brasileiro, Glauber Rocha. Autor também de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963) e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969), Rocha alinha narrativas marcadas por críticas sociais e um estilo de filmagem de técnicas cinematográficas inovadoras, buscando romper com o molde de como se fazia cinema época. Terra em Transe é um dos seus filmes de maior destaque, conquistando lugar na lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) e, importante dizer, o filme é considerado por Glauber Rocha como um filme sobre política e não um filme político. Continuar lendo “CRÍTICA: TERRA EM TRANSE (1967)”