CRÍTICA: “O ÓDIO QUE VOCÊ SEMEIA” (2018) – A TRISTE REALIDADE ESTRUTURAL

Um jovem negro é morto por ter sua escova de cabelo confundida com uma arma. Uma comunidade é refém do tráfico que a permeia. Brancos não reconhecendo seus privilégios. Todas essas questões fazem parte do roteiro impecável que compõe o filme “O Ódio que Você Semeia”. A obra, baseada no livro homônimo de Angie Thomas e dirigida por George Tillman Jr., é um soco no estômago, que poderia ser apenas ficção, mas vai muito além, sendo projetada na realidade. Continuar lendo “CRÍTICA: “O ÓDIO QUE VOCÊ SEMEIA” (2018) – A TRISTE REALIDADE ESTRUTURAL”

E O TEMPO DEIXOU… “UM ESTRANHO NO NINHO” (1975) – A LIGA DOS MENTALMENTE INCAPAZES EM FORMAÇÃO

Há filmes que são maiores que sua época de lançamento. Sua execução e a mensagem embutida em suas histórias os levam à posteridade. Essa atemporalidade só é alcançada por uma combinação muito particular entre uma boa produção, esmero na direção e atores comprometidos com a visão tecida pelo filme. Conta, ainda, o respeito que seus roteiristas dispõem do material que o originou. Se “Um Estranho no Ninho” se encaixa perfeitamente nesses atributos, não é porque ele seguiu à risca uma fórmula para o sucesso, mas por ser, ele mesmo, um máximo exemplo de como ser um grande filme.

Continuar lendo “E O TEMPO DEIXOU… “UM ESTRANHO NO NINHO” (1975) – A LIGA DOS MENTALMENTE INCAPAZES EM FORMAÇÃO”

CRÍTICA: “THE BOYS” (2019 –) (S01) DESVIRTUANDO O ARQUÉTIPO DO SUPER HERÓI

A primeira obra literária da história foi a “Epopeia de Gilgamesh”, um poema épico, cravado em placas de argila há mais ou menos cinco mil anos, sobre as aventuras de herói mitológico sumério. Desde então, inúmeras narrativas contavam com o arquétipo heroico de seu protagonista. Um ser humano que não só tinha habilidades físicas mais aguçadas que a de uma pessoa comum, mas, também, tinha índole moral superior aos seus conterrâneos. Hoje em dia, esse mito foi atualizado nos super-heróis dos quadrinhos, que logo foram para o audiovisual. Mas o que acontece quando imaginamos esses personagens somente com os superpoderes e retiramos toda a parte ética e moral?

Continuar lendo “CRÍTICA: “THE BOYS” (2019 –) (S01) DESVIRTUANDO O ARQUÉTIPO DO SUPER HERÓI”

CRÍTICA: “VELVET BUZZSAW” (2019) – O NASCIMENTO DE UM AUTOR

Independente da qualidade, é trágico quando um filme não encontra seu público. É trágico, mas pode ser também promissor. Alguns filmes, pela abordagem estrutural ou pela forma como têm sua história conduzida, podem causar uma grande estranheza por parte do público devido ao nível de transgressão. E aqui há sempre dois caminhos: a transgressão pela transgressão cujo destino é lugar nenhum, ou a transgressão motivada por algum fator. O destino da segunda opção é um lugar muito mais atraente.

Continuar lendo “CRÍTICA: “VELVET BUZZSAW” (2019) – O NASCIMENTO DE UM AUTOR”

CRÍTICA: “CORINGA” (2019) – SANIDADE MENTAL DIANTE DO CAOS DA SOCIEDADE

O longa dirigido por Todd Phillips e protagonizado por Joaquin Phoenix supera as expectativas do que um filme poderia aprofundar de um consagrado vilão. Até porque, em um mundo de heróis e vilões, as personagens que se opõem aos heróis, muitas vezes, estão longe de serem humanizadas. Talvez a maestria da obra resida exatamente na humanização de alguém tão cruel, mostrando que algumas atitudes não podem ser justificadas, mas sim explicadas.

Continuar lendo “CRÍTICA: “CORINGA” (2019) – SANIDADE MENTAL DIANTE DO CAOS DA SOCIEDADE”

CRÍTICA: “MIDSOMMAR” (2019) – O MARAVILHOSO CONTO DE HORROR

Este texto contém spoilers (mas o importante é a jornada, não o destino).

A discussão sobre gênero pode ser muito rica no cinema e na literatura. Quando um autor consegue imprimir elementos de diferentes gêneros narrativos na sua história para criar algo original que faça sentido dentro dos limites interpretativos, o resultado será sempre ambicioso no melhor sentido da palavra. “Midsommar” é um filme extremamente ambicioso nesse sentido. Se decepcionarão aqueles que forem aos cinemas aguardando uma construção convencional, contendo personagens arquétipos com apenas uma única função em meio a uma narrativa formulaica na qual os acontecimentos seguem o esperado do público, gerando algum conforto. Não há conforto algum. Ari Aster enreda seu terror desconfortante com elementos do conto maravilhoso, surgindo, assim, como o terceiro irmão Grimm, de alguma forma (fantástica) perdido na contemporaneidade.

Continuar lendo “CRÍTICA: “MIDSOMMAR” (2019) – O MARAVILHOSO CONTO DE HORROR”