LITERATURA: THE DEAD (1914)

James Joyce, romancista, cronista e poeta do século XX, em seu conto “The Dead”, publicado em 1914, no livro Dubliners, nos faz refletir sobre questões como o amor, a memória, papéis sociais e, além disso, sobre o que é, de fato, estar vivo ou morto. Evidentemente, não é possível resumir a obra de Joyce pela ótica das temáticas supracitadas, uma vez que a cada leitura novas possibilidades de interpretação surgem. Nessa perspectiva, é admissível dizer que quando pensamos em conceitos como vida e/ou morte, é preciso deixar de lado a ideia de que viver é estar presente – abarcando definições biológicas – em algum espaço físico. Joyce, além de evidenciar que a morte atravessa a materialidade com as quebras sociais simbólicas, nos mostra que é possível existir, vividamente, na memória de alguém, assim como é possível morrer, metaforicamente, e continuar em circulação.   Continuar lendo “LITERATURA: THE DEAD (1914)”

LITERATURA: O OLHO MAIS AZUL (1970)

O olho mais azul conta a história de uma menina negra que foi humilhada e inferiorizada por todos que a cercaram durante toda a sua vida. Pecola, a personagem principal, cresceu observando meninas brancas de olhos azuis recebendo o amor e o carinho que tanto lhe foi negado e, por isso, acreditava que se tivesse tais características o mundo a veria de outra forma e todos os seus problemas seriam resolvidos. A narrativa é fragmentada e em cada momento é apresentado ao leitor a história de um personagem até o momento em que sua vida cruza com a de Pecola. Continuar lendo “LITERATURA: O OLHO MAIS AZUL (1970)”

LITERATURA: A OUTRA FACE (2012)

Ao longo da história, tivemos acesso a vários relatos sobre a luta das mulheres em sua busca por direitos iguais aos desfrutados pelos homens. Do direito a exercer o papel de cidadania concedido pelo voto ao direito de ser legalmente responsável pelo próprio corpo, a mulher enfrentou e enfrenta, ainda hoje, lutas diárias contra o silenciamento e a subjugação. Em alguns contextos, como o que nos é apresentado na obra de Deborah Ellis, a primeira e principal luta que a mulher irá enfrentar será a de continuar existindo. Escrito por Ellis e publicado pela primeira vez no Brasil em 2012, A outra face – história de uma garota afegã nos transporta para um país devastado pela guerra e que encontra em suas personagens femininas a força para sobreviver um dia após o outro.

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LITERATURA: COMO PARAR O TEMPO (2017)

Escrito por Matt Haig e publicado no Brasil pela Harper Collins, em 2017, Como parar o tempo é o tipo de livro que tem a capacidade de deixar o leitor envolvido do início ao fim, sem perder o ritmo e sem se tornar clichê, embora apresente temas que constantemente são trabalhados e apresentados a partir dessa visão em outras obras. Continuar lendo “LITERATURA: COMO PARAR O TEMPO (2017)”

LITERATURA: TRIFLES (1916)

Este texto contém spoilers.

Quando pensamos em peças teatrais somos, imediatamente, guiados pelo percurso shakespeariano que domina agendas culturais desde muito antes do período vitoriano. Dramaturgos como Sófocles e Eurípedes, há mais de 2400 anos, já haviam estabelecido o teatro como parte do mundo dos homens. Esse corpo social ganhava destaque não apenas em relação ao enredo, mas, também, em relação à encenação nas arenas gregas: não era permitido que mulheres atuassem, portanto, homens as representavam em cena. Susan Glaspell, em 1916, nos entrega Trifles, uma peça sobre empatia feminina e ajuda a quebrar esse cenário com uma obra digna de muitas adaptações. Continuar lendo “LITERATURA: TRIFLES (1916)”

LITERATURA: A VELOCIDADE DA LUZ (2002)

“Talvez isso seja a literatura: a arte de revelar enquanto se esconde e de esconder enquanto se revela.”, disse Javier Cercas e é exatamente isso o que o escritor espanhol faz em A velocidade da luz. A obra conta a história de um espanhol aspirante a escritor que recebe um convite para lecionar em uma universidade nos Estados Unidos, na cidade de Urbana, no final dos anos 80. Lá, o narrador, cujo nome não é revelado, divide sala no departamento de Letras com um homem excêntrico, culto e ex-combatente de guerra chamado Rodney Falk.  Continuar lendo “LITERATURA: A VELOCIDADE DA LUZ (2002)”