CRÍTICA: “THE BOYS” (2019 –) (S01) DESVIRTUANDO O ARQUÉTIPO DO SUPER HERÓI

A primeira obra literária da história foi a “Epopeia de Gilgamesh”, um poema épico, cravado em placas de argila há mais ou menos cinco mil anos, sobre as aventuras de herói mitológico sumério. Desde então, inúmeras narrativas contavam com o arquétipo heroico de seu protagonista. Um ser humano que não só tinha habilidades físicas mais aguçadas que a de uma pessoa comum, mas, também, tinha índole moral superior aos seus conterrâneos. Hoje em dia, esse mito foi atualizado nos super-heróis dos quadrinhos, que logo foram para o audiovisual. Mas o que acontece quando imaginamos esses personagens somente com os superpoderes e retiramos toda a parte ética e moral?

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CRÍTICA: “VELVET BUZZSAW” (2019) – O NASCIMENTO DE UM AUTOR

Independente da qualidade, é trágico quando um filme não encontra seu público. É trágico, mas pode ser também promissor. Alguns filmes, pela abordagem estrutural ou pela forma como têm sua história conduzida, podem causar uma grande estranheza por parte do público devido ao nível de transgressão. E aqui há sempre dois caminhos: a transgressão pela transgressão cujo destino é lugar nenhum, ou a transgressão motivada por algum fator. O destino da segunda opção é um lugar muito mais atraente.

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CRÍTICA: “CORINGA” (2019) – SANIDADE MENTAL DIANTE DO CAOS DA SOCIEDADE

O longa dirigido por Todd Phillips e protagonizado por Joaquin Phoenix supera as expectativas do que um filme poderia aprofundar de um consagrado vilão. Até porque, em um mundo de heróis e vilões, as personagens que se opõem aos heróis, muitas vezes, estão longe de serem humanizadas. Talvez a maestria da obra resida exatamente na humanização de alguém tão cruel, mostrando que algumas atitudes não podem ser justificadas, mas sim explicadas.

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CRÍTICA: “MIDSOMMAR” (2019) – O MARAVILHOSO CONTO DE HORROR

Este texto contém spoilers (mas o importante é a jornada, não o destino).

A discussão sobre gênero pode ser muito rica no cinema e na literatura. Quando um autor consegue imprimir elementos de diferentes gêneros narrativos na sua história para criar algo original que faça sentido dentro dos limites interpretativos, o resultado será sempre ambicioso no melhor sentido da palavra. “Midsommar” é um filme extremamente ambicioso nesse sentido. Se decepcionarão aqueles que forem aos cinemas aguardando uma construção convencional, contendo personagens arquétipos com apenas uma única função em meio a uma narrativa formulaica na qual os acontecimentos seguem o esperado do público, gerando algum conforto. Não há conforto algum. Ari Aster enreda seu terror desconfortante com elementos do conto maravilhoso, surgindo, assim, como o terceiro irmão Grimm, de alguma forma (fantástica) perdido na contemporaneidade.

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CRÍTICA: “NÓS” (2019) – O MEDO E O RISO NA CONSTRUÇÃO ALEGÓRICA

Jordan Peele, roteirista, diretor e produtor de “Nós”, tem um histórico irrefutável como roteirista de comédia e teve sua estreia memorável no terror com o filme “Corra”, se tornando o primeiro homem negro da história dos indicados ao Oscar a conseguir o prêmio de melhor roteiro original. Se em “Corra” Peele focou em escancarar a sociedade racista, em “Nós” ele coloca em jogo inúmeras críticas à sociedade por meio de muitas referências aterrorizantes e sem abandonar o riso.

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CRÍTICA: “I TRAPPED THE DEVIL” (2019) – A INDEPENDÊNCIA DO TERROR INDEPENDENTE

Produções independentes podem ser muito fascinantes. Tudo é milimetricamente contado, cada centavo e cada minuto. O simples ato de se conseguir um lançamento comercial ou de ter o filme exposto para o público é definitivamente uma vitória. “I Trapped The Devil”, filme escrito e dirigido por Josh Lobo, inspirado no episódio “The Hollowing Man”, de “Twilight Zone”, se enquadra perfeitamente nessas características.

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