CRÍTICA: “MIDSOMMAR” (2019) – O MARAVILHOSO CONTO DE HORROR

Este texto contém spoilers (mas o importante é a jornada, não o destino).

A discussão sobre gênero pode ser muito rica no cinema e na literatura. Quando um autor consegue imprimir elementos de diferentes gêneros narrativos na sua história para criar algo original que faça sentido dentro dos limites interpretativos, o resultado será sempre ambicioso no melhor sentido da palavra. “Midsommar” é um filme extremamente ambicioso nesse sentido. Se decepcionarão aqueles que forem aos cinemas aguardando uma construção convencional, contendo personagens arquétipos com apenas uma única função em meio a uma narrativa formulaica na qual os acontecimentos seguem o esperado do público, gerando algum conforto. Não há conforto algum. Ari Aster enreda seu terror desconfortante com elementos do conto maravilhoso, surgindo, assim, como o terceiro irmão Grimm, de alguma forma (fantástica) perdido na contemporaneidade.

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CRÍTICA: REI LEÃO (2019) – MESMA HISTÓRIA, NOVO ESTILO

Nostalgia é uma sensação poderosa. A partir dela, conseguimos retomar momentos da tenra infância e sentir que algo especial nos está sendo apresentado. “O Rei Leão” é o mais novo “live-action” – o que ainda soa estranho dizer – da Disney. Temos, então, em tela, cenas e músicas que fizeram parte da infância de boa parte da geração dos criados pelos anos 90. Nesse sentido, é fácil comprar a ideia de que ir ao cinema para rever a jornada de Simba (JD McCrary e Donald Glover) em um novo formato é interessante. E é. Só não é inovador no que tange o enredo. Entretanto, é preciso admitir que, em questões técnicas, o filme se atualiza. Novamente, vemos Simba ser manipulado e exilado por seu tio, Scar (Chiwetel Ejiofor), e assistimos ao seu percurso de crescimento ao lado de Timão (Billy Eichner) e Pumba (Seth Rogen), que levam a vida um tanto quanto diferente do modo que o leãozinho estava acostumado. Aqui, o fanservice está garantido com Hakuna Matata e sua lição sobre deixar os problemas no passado.

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