CRÍTICA: CAPTAIN MARVEL (2019)

O Cinema e as demais artes têm, por meio de suas obras, a função de – também – representar a realidade social e política de um determinado ponto no espaço tempo. Engana-se quem pensa que apenas os filmes mais filosóficos ou complexos, ditos “de arte” (expressão pedante dos cinéfilos de boina) exercem essa importante função. A recepção dos blackbusters, filmes cuja produção é mais voltada para o mercado, é um ótimo indicativo de como pensa um povo.  “Capitã Marvel”, novo filme do MCU, antes mesmo do apagar das luzes da sala do cinema, mostra que estamos cercados por idiotas.

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CRÍTICA: SHAZAM (2019)

Não é exatamente difícil perceber a diferença entre filmes que tem ou não tem a influência do não mais aclamado Zack Snyder. Os filmes em que o diretor de “Watchmen” (2009) se envolveu receberam uma resposta negativa tanto da crítica quanto do público. Já os filmes sem seu envolvimento obtiveram reações contrárias, crítica e público estão conseguindo enxergar, literalmente, o que acontece em tela e, finalmente, apreciar produções fílmicas que irão estabelecer a base que o universo DC merece no cinema. “Shazam”, dirigido por David F. Sandberg, ganha destaque ao fugir totalmente do moldado por Snyder e dar um passo além, especificamente no humor, pelo que foi construído em “Mulher Maravilha” (2017) e “Aquaman” (2018). Continuar lendo “CRÍTICA: SHAZAM (2019)”

CRÍTICA: ROMA (2018)

O público mais popular de cinema tem a ilusão de que para uma história ser boa ela precisa ter muitos acontecimentos incríveis e situações inimagináveis. No entanto, muito pode ser dito em filmes que contam apenas um trecho da vida simples de uma ou mais pessoas e partir disso serem criadas grandes obras de arte. A maior prova disso foi o destaque que “Roma”, filme mexicano lançado em streaming pela Netflix, ganhou nos meios cinematográficos mais tradicionais.

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SÉRIE: THE HANDMAID’S TALE (2017 – )

Totalitarismo, queda da Constituição, controle opressivo da sociedade por meio do discurso religioso são algumas das características que compõe uma distopia, e, não por coincidência, são características que marcam a construção de “Handmaid’s Tale”. Sabe-se que a distopia está presente na literatura há pelo menos 94 anos. Opondo-se às construções utópicas, em que tudo é sistematicamente civilizado e igualitário, livros como “O Processo” (1925), de Franz Kafka, “Admirável Mundo Novo” (1932), de Aldous Huxley e “1984” (1949), de George Orwell nos fazem refletir sobre modelos de sociedades e suas devidas organizações nada ideais para boa parte das camadas sociais. Exibida pelo serviço de streaming Hulu e criada por Bruce Miller, “Handmaid’s Tale” é uma adaptação de obra homônima da autora canadense Margaret Atwood.

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CRÍTICA: NO PORTAL DA ETERNIDADE (2018)

No universo cinematográfico, e, aqui, tomo a liberdade de incluir as séries, há diversas abordagens que tentam contar e recontar a história do pintor holandês Vincent van Gogh. Uma das primeiras abordagens já feitas é o curta “Van Gogh”, de 1948, dirigido por Alain Resnais. Entre as mais recentes, temos o longa “Van Gogh: Pintando com Palavras”, de 2010, dirigido por Andrew Hutton e estrelado por Benedict Cumberbatch; o excelente episódio “Vincent and the Doctor”, décimo episódio da quinta temporada de Doctor Who, transmitido pela BBC em 2010; e a animação “Loving Vincent”, feita com pinturas de quadros que imitam as obras de van Gogh. Agora, temos “No Portal da Eternidade”, filme que Julian Schnabel assume a direção e é estrelado pelo veterano Willem Dafoe. A enorme quantidade de produções que tomam a mesma figura como elemento central reforça a importância do holandês para o mundo da arte até hoje. Continuar lendo “CRÍTICA: NO PORTAL DA ETERNIDADE (2018)”

CRÍTICA: GREEN BOOK (2018)

Em qualquer forma de narração, o ponto de vista é fundamental para o sucesso ou não da história. Esse ponto de vista é nada mais do que o narrador, o filtro que transmite os acontecimentos para o espectador. No cinema, a questão do narrador é mais complexa pois funciona em dois níveis, a narração de uma personagem, protagonista ou não, e a narração da câmera, responsabilidade dos diretores e das pessoas que trabalham nos bastidores. Em outras palavras, podemos entender que há, no cinema, uma narração diegética e uma narração extra-diegética. “Green Book”, filme dirigido por Peter Farrelly, é um ótimo exemplo para mostrar como a escolha do narrador pode afetar, positiva ou negativamente, a história como um todo.

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