CRÍTICA: “GUAVA ISLAND” (2019) – A TRAGÉDIA ALEGÓRICA DE CHILDISH GAMBINO

Que Donald Glover é um dos artistas mais completos da nossa época não resta dúvida. Depois de ter se mostrado um grande talento como roteirista em “30 Rock” (2006-2013), como comediante stand-up e como ator na série “Community” (2009-2015), Glover se tornou o protagonista e showrunner de uma das séries de maior sucesso da atualidade, “Atlanta” (2016 – hoje). Além disso, usando o nome de Childish Gambino, o ator faz bastante sucesso também na música pop contemporânea. Agora, em 2019, Glover, mais uma vez, pôs sua criatividade impecável para trabalhar ao trazer “Guava Island”, um filme curto (55 minutos), mas com muito a dizer.

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CRÍTICA: “TED BUNDY: A IRRESISTÍVEL FACE DO MAL” (2019) – OMISSÃO EM CENA

Atualmente, é perfeitamente possível identificar Charles Manson como a figura que inseriu assassinos em série na cultura pop – por mais estranho e desumano que isso soe. Ele pode não ter assassinado Sharon Tate, esposa do diretor Roman Polanski, com suas próprias mãos, mas, a partir de suas ideologias que alimentavam diversos seguidores, o grupo “Família Manson” assassinou diversas pessoas com o intuito de causar uma guerra entre negros e brancos. Para Manson, os brancos se sobressairiam como soberanos. Os crimes ganharam repercussão internacional e, desde então, têm ganhando adaptações cinematográficas: o próximo filme de Quentin Tarantino, “Once Upon a Time in Hollywood”, contará a história de Manson e o assassinato de Tate. Além disso, a recorrência da temática aparece em filmes consagrados, como “O Silêncio dos Inocentes”, dirigido por Jonathan Demme, e séries como Mindhunter, desenvolvida por Joe Penhall.

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CRÍTICA: “LOJA DE UNICÓRNIOS” (2017) – MAIS ‘SESSÃO DA TARDE’ NA SUA NETFLIX

Antes de se tornar uma super-heroína nos filmes da Marvel/Disney, Brie Larson fez sua estreia como cineasta produzindo e dirigindo “Loja de Unicórnios” para a Netflix. Inicialmente, a produção não causou muito alarde entre os assinantes, porém, com a estreia de “Capitã Marvel”, em 2019, as coisas mudaram, uma vez que, além de Larson, o elenco de “Loja de Unicórnios” contava com Samuel L. Jackson. O filme foi puxado das profundezas do serviço de streaming e atingiu muitos espectadores. Continuar lendo “CRÍTICA: “LOJA DE UNICÓRNIOS” (2017) – MAIS ‘SESSÃO DA TARDE’ NA SUA NETFLIX”

CRÍTICA: “HOMEM-ARANHA: LONGE DE CASA” – CURTINDO A EUROPA ADOIDADO

O texto não contém spoilers. 

A palavra “infâmia” só deveria ser escrita em Comic Sans. Na internet, a fonte se tornou um símbolo, marcando a intenção de uma pessoa em tirar sarro de alguma coisa. Dessa forma, ao se apropriar de uma estética intencionalmente tosca, a infâmia em Comic Sans assumiu traços positivos que desenham um determinado tom, um tom irônico, e, até mesmo, satírico em algumas ocasiões. Logo no início de “Homem Aranha – Longe de Casa”, há uma homenagem feita pelo jornal da escola de Peter Parker (Tom Holland) ao Homem de Ferro. A fonte usada na reportagem? Comic Sans. Uma escolha perfeita que estabelece de antemão a abordagem adotada no filme, que é a da infâmia, no sentido bom e não dicionarizado da palavra.

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CRÍTICA: “OBSESSÃO” (2018) – AGONIA EM CENA, MAS NÃO PELOS MOTIVOS CERTOS

Eufemismo é uma figura de linguagem que representa a substituição de um termo ou uma cena grotesca por algo mais sutil. É, por incrível que pareça, fazendo uso dessa expressão, que tomo “Greta” (2018), dirigido por Neil Jordan, como a mais nova fuleiragem genérica do cinema de suspense. O filme tem sua narrativa situada em Nova York e permite que o espectador assista ao encontro nada casual entre duas mulheres, Frances (Chloë Grace Moretz) e Greta (Isabelle Huppert).

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CRÍTICA: “DEMOCRACIA EM VERTIGEM” – ENVELHECERÁ RÁPIDO, MAS COM BELAS RUGAS DE EXPRESSÃO

Diante de um evento marcante, é comum que os cineastas sintam o ímpeto de retratá-lo em um filme. Mas os grandes diretores são aqueles que resistem ao impulso inicial e conseguem esperar. O distanciamento histórico permite uma visão mais abrangente do contexto geral e reduz a possibilidade de erros.

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