CRÍTICA: TERRA EM TRANSE (1967)

Texto escrito em coautoria com Julia Magalhães.

Terra em Transe é um filme brasileiro lançado em 1967, com roteiro e direção pelo cineasta, ator e escritor brasileiro, Glauber Rocha. Autor também de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963) e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969), Rocha alinha narrativas marcadas por críticas sociais e um estilo de filmagem de técnicas cinematográficas inovadoras, buscando romper com o molde de como se fazia cinema época. Terra em Transe é um dos seus filmes de maior destaque, conquistando lugar na lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) e, importante dizer, o filme é considerado por Glauber Rocha como um filme sobre política e não um filme político. Continuar lendo “CRÍTICA: TERRA EM TRANSE (1967)”

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CRÍTICA: A FAVORITA (2018)

Além de ter a palavra final em todas as decisões políticas do reino, a rainha Anne da Inglaterra (Olivia Colman) é extremamente mimada e bajulada em sua intimidade. Basta tocar um sininho para que uma equipe de serviçais apareça imediatamente em seus aposentos para lhe fazer uma massagem. Anne tem tudo do bom e do melhor. Somente uma coisa lhe falta: felicidade.

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CRÍTICA: COMO TREINAR O SEU DRAGÃO (2019)

Este texto contém spoilers

É bastante comum atrelar o gênero “animação” como algo voltado para o público infantil. Embora Hayao Miyazaki, Isao Takahata, Toshio Suzuki, Yasuyoshi Tokuma, entre outros, já tenham colocado esse emparelhamento em questão com seus filmes e mangás com teor para além do infantil, a animação continua, majoritariamente, sendo considerada pelos espectadores um gênero para crianças. Após assistir a filmes como Toy Story (1995 – ), Up (2009), Coraline (2009), nos parece imprudente corroborar com essa ideia. Como Treinar o seu Dragão 3 (How to Train Your Dragon: The Hidden World) não é um filme apenas para o público infantil. A forma em que o conteúdo temático é apresentado por Dean DeBlois exige de nós uma leitura profunda e admirada sobre as temáticas retratadas para diversos públicos.

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CRÍTICA: BOHEMIAN RHAPSODY (2018)

Cinebiografias podem ser complicadas de se avaliar devido às personalidades nelas retratadas e, por consequência, à base de fãs que podem possuir essas personalidades. Esse tipo de filme, então, possui um caráter mais complexo para avaliação e apreciação por tratarem de pessoas que possuem status de ídolo para muitas outras. Então, dessa forma, surgem duas grandes perspectivas possíveis para se avaliar obras dessa natureza: a perspectiva do fã da pessoa, que vai ao cinema para ver seu ídolo; e a perspectiva fã de cinema, que espera apreciar o filme por conta de suas construções narrativas e temáticas.

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CRÍTICA: ASSUNTO DE FAMÍLIA (2018)

Hatsue Shibata (Kirin Kiki) é matriarca de uma grande família. Suas duas filhas, Nobuyo (Sakura Andô) e Aki (Mayu Matsuoka), seu genro Osamu (Lily Franky), e seu neto Shota (Jyo Kairi) vivem sob seu teto – um cubículo localizado nos arredores de Tóquio, onde as pessoas dividem espaço com centenas de itens que não possuem muito valor além do sentimental – e tendo sua pensão como principal fonte de renda. Alguns até arrumam empregos para ajudar a complementar a renda, mas o que realmente faz diferença no sustento da casa é um hábito incomum de Osamu e Shota: furtar produtos em supermercados.

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CRÍTICA: A FREIRA (2018)

Não é difícil se decepcionar quando a expectativa é alta para um determinado filme. Tampouco é difícil se surpreender positivamente quando não há expectativa alguma. A questão, nesse caso, é de perspectiva: o filme vai ser melhor ou pior dependendo do quanto esperamos dele. É claro que, depois da expectativa, seja ela positiva ou negativa, o que deve prevalecer na avaliação final é a qualidade ­– ou não – da obra. Contudo, não desconsideremos o valor da expectativa, porque quando um filme consegue decepcionar profundamente mesmo quando nada se esperava dele, é preciso parar, respirar e entender o que diabos aconteceu.

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