LITERATURA: TRIFLES (1916)

Este texto contém spoilers.

Quando pensamos em peças teatrais somos, imediatamente, guiados pelo percurso shakespeariano que domina agendas culturais desde muito antes do período vitoriano. Dramaturgos como Sófocles e Eurípedes, há mais de 2400 anos, já haviam estabelecido o teatro como parte do mundo dos homens. Esse corpo social ganhava destaque não apenas em relação ao enredo, mas, também, em relação à encenação nas arenas gregas: não era permitido que mulheres atuassem, portanto, homens as representavam em cena. Susan Glaspell, em 1916, nos entrega Trifles, uma peça sobre empatia feminina e ajuda a quebrar esse cenário com uma obra digna de muitas adaptações. Continuar lendo “LITERATURA: TRIFLES (1916)”

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LITERATURA: A VELOCIDADE DA LUZ (2002)

“Talvez isso seja a literatura: a arte de revelar enquanto se esconde e de esconder enquanto se revela.”, disse Javier Cercas e é exatamente isso o que o escritor espanhol faz em A velocidade da luz. A obra conta a história de um espanhol aspirante a escritor que recebe um convite para lecionar em uma universidade nos Estados Unidos, na cidade de Urbana, no final dos anos 80. Lá, o narrador, cujo nome não é revelado, divide sala no departamento de Letras com um homem excêntrico, culto e ex-combatente de guerra chamado Rodney Falk.  Continuar lendo “LITERATURA: A VELOCIDADE DA LUZ (2002)”

RESENHA: VÁ, COLOQUE UM VIGIA (1960)

Nada pode deixar o fã de uma obra (filme, série ou livro) mais animado do que o anúncio da continuação de uma história que conquistou o seu carinho e admiração. E não foi diferente com Vá, coloque um vigia. Segundo livro de Harper Lee, a obra, publicada 50 anos após a publicação do primeiro livro da autora, surge com a proposta de ser a continuação de O sol é para todos (já resenhado aqui). Em meio a várias polêmicas envolvendo sua publicação, como o estado de saúde da autora e até mesmo controvérsias quanto a sua autoria, Vá, coloque um vigia é um livro que dividiu e continua dividindo opiniões.

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RESENHA: BARTLEBY, O ESCRIVÃO (1853)

“Bartleby, o Escrivão”, foi publicado pela primeira vez, anonimamente, em 1853. O nome do autor desta verdadeira crítica ao capitalismo, Herman Melville, foi descoberto somente em 1856, três anos após a primeira publicação do conto. A história nos é contada a partir da perspectiva de um advogado inominado, nosso narrador personagem, que afirma não existir material o suficiente para que apresentar uma biografia de Bartleby. É sob essa ótica, a ótica do que não se sabe, do que não fora dito, que Melville nos conduz por Wall Street, demonstrando as consequências provocadas pelo capitalismo, sendo a desumanização dos sujeitos a pior delas. Tratando-se de um personagem extremamente misterioso, Bartleby é passível a diversas interpretações. Para o desenvolvimento desta análise, é importante, portanto, considerar que nada a respeito de Bartleby pode ser afirmado, apenas sugerido. Continuar lendo “RESENHA: BARTLEBY, O ESCRIVÃO (1853)”

RESENHA: OBJETOS CORTANTES (2006)

Se o papel da literatura é trazer uma reflexão sobre a realidade, esse livro cumpre seu papel nos mostrando como as relações que vivemos na infância e com a família podem nos marcar e trazer problemas psicológicos que nos acompanharão em todas as relações e por toda a vida. Objetos Cortantes, primeiro livro de Gillian Flynn, publicado em 2006 e traduzido para o Português Brasileiro em 2015, é uma narrativa de mulheres intensas. Continuar lendo “RESENHA: OBJETOS CORTANTES (2006)”

RESENHA: O SOL É PARA TODOS (1960)

Ítalo Calvino, importante escritor italiano, apresenta em seu livro Por que ler os clássicos, várias tentativas de definições do que são livros clássicos e uma delas chama atenção:

“Um clássico é um livro que nunca termina de dizer aquilo que tinha para dizer.”

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