CRÍTICA: “MIDSOMMAR” (2019) – O MARAVILHOSO CONTO DE HORROR

Este texto contém spoilers (mas o importante é a jornada, não o destino).

A discussão sobre gênero pode ser muito rica no cinema e na literatura. Quando um autor consegue imprimir elementos de diferentes gêneros narrativos na sua história para criar algo original que faça sentido dentro dos limites interpretativos, o resultado será sempre ambicioso no melhor sentido da palavra. “Midsommar” é um filme extremamente ambicioso nesse sentido. Se decepcionarão aqueles que forem aos cinemas aguardando uma construção convencional, contendo personagens arquétipos com apenas uma única função em meio a uma narrativa formulaica na qual os acontecimentos seguem o esperado do público, gerando algum conforto. Não há conforto algum. Ari Aster enreda seu terror desconfortante com elementos do conto maravilhoso, surgindo, assim, como o terceiro irmão Grimm, de alguma forma (fantástica) perdido na contemporaneidade.

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CRÍTICA: “NÓS” (2019) – O MEDO E O RISO NA CONSTRUÇÃO ALEGÓRICA

Jordan Peele, roteirista, diretor e produtor de “Nós”, tem um histórico irrefutável como roteirista de comédia e teve sua estreia memorável no terror com o filme “Corra”, se tornando o primeiro homem negro da história dos indicados ao Oscar a conseguir o prêmio de melhor roteiro original. Se em “Corra” Peele focou em escancarar a sociedade racista, em “Nós” ele coloca em jogo inúmeras críticas à sociedade por meio de muitas referências aterrorizantes e sem abandonar o riso.

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CRÍTICA: A FREIRA (2018)

Não é difícil se decepcionar quando a expectativa é alta para um determinado filme. Tampouco é difícil se surpreender positivamente quando não há expectativa alguma. A questão, nesse caso, é de perspectiva: o filme vai ser melhor ou pior dependendo do quanto esperamos dele. É claro que, depois da expectativa, seja ela positiva ou negativa, o que deve prevalecer na avaliação final é a qualidade ­– ou não – da obra. Contudo, não desconsideremos o valor da expectativa, porque quando um filme consegue decepcionar profundamente mesmo quando nada se esperava dele, é preciso parar, respirar e entender o que diabos aconteceu.

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CRÍTICA: SLENDER MAN: PESADELO SEM ROSTO (2018)

Em 2009, um homem conhecido pelo pseudônimo de Victor Surge participa de um concurso de Photoshop criando a imagem de um ser alto, pálido, esguio, com braços e pernas muito longos, sem rosto e usando um terno preto. Inspirado por Stephen King, Surge compartilha a obra em fóruns da internet dando início a lenda do Slender Man. A tal criatura teria como objetivo atormentar e raptar crianças. A história se espalhou, se tornou um meme, um documentário da HBO e agora se tornou um filme.

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BEFORE I WAKE (2016)

O ano de 2016 vem se mostrando, até o presente dia, um ótimo ano para filmes de terror. Obras como: “The Conjuring 2”, “Lights Out” e “Don’t Breathe” carregam a bandeira do gênero na linha de frente dos lançamentos. Todos esses bons filmes, apesar de alguns deslizes aqui e ali. E para engrossar o caldo, chega “Sono da Morte” (Before I Wake, 2016) filme com Jacob Tremblay no elenco.

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